Os líderes mundiais comprometeram-se na cimeira do clima das Nações Unidas a parar a desflorestação até 2030. O acordo histórico para a proteção e recuperação das florestas mundiais é, no entanto, considerado por muitos como demasiado brando no que diz respeito à calendarização da medida.

Para as Organizações Não Governamentais Ambientais (ONA) a meta de 2030 está demasiado distante no tempo e o acordo não está à altura da urgência necessária que o planeta enfrenta.

Também o secretário-geral da ONU reagiu à notícia, afirmando que assinar o acordo “foi a parte fácil”. António Guterres pediu que o compromisso seja, de facto, implementado “para as pessoas e pelo planeta”.

Foto: UNFCCC_COP26

A ONU lembra que, na última década, quase 40 vezes mais dinheiro foi utilizado para práticas destrutivas do que para a proteção das florestas e agricultura sustentável.

A declaração conjunta a favor do combate à desflorestação é rubricada por 105 países, onde se situam 85% das florestas mundiais, entre as quais a floresta boreal do Canadá, a floresta amazónica ou ainda a floresta tropical da bacia do Congo.

A iniciativa beneficiará de um financiamento público e privado de 19,2 mil milhões de dólares (16,5 mil milhões de euros).

Nesse capítulo, doze países doadores comprometem-se com um novo Compromisso de Financiamento Florestal Global com o intuito de apoiar ações em países em desenvolvimento, incluindo a restauração de terras degradadas, o combate a incêndios florestais e a promoção dos direitos dos povos indígenas e das comunidades locais.

Boris Johnson: entre as palavras e as ações

Apesar do seu discurso em que apelou a que os países passarem efetivamente das palavras às ações no que ao combate às alterações climáticas diz respeito, Boris Johnson não se livrou de críticas pelo facto de ter viajado num voo charter para a COP26, quando poderia tê-lo feito num mais sustentável comboio, dado que a distância entre Londres e Glasgow é de cerca de 560 km.

“Esses formidáveis ecossistemas abundantes – essas catedrais da natureza – são os pulmões do nosso planeta”, estão no centro da vida de comunidades ao absorver uma grande parte do carbono libertado na atmosfera, referiu Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, país anfitrião da cimeira, lembrando que as florestas estão a recuar a um ritmo de 27 estádios de futebol por minuto.

“Se as cimeiras conseguissem por si resolver as alterações climáticas, não teríamos precisado das 25 anteriores. Esta pode e tem que ser um começo. Dediquemo-nos nos próximos dias a esta tarefa extraordinária”, referiu Boris Johnson.

Foto: UNFCCC_COP26

“Se as cimeiras conseguissem por si resolver as alterações climáticas, não teríamos precisado das 25 anteriores” – Boris Johnson

O compromisso de lutar contra a desflorestação assinado por 105 nações, entre as quais Portugal, insta “todos os líderes a unirem forças numa transição sustentável de utilização da terra. Isso é essencial para cumprir as metas do Acordo de Paris, incluindo reduzir a vulnerabilidade aos impactos das mudanças climáticas e manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C e prosseguir esforços para limitá-la a 1,5°C, evidenciando que a ciência mostra que é necessária uma maior aceleração dos esforços se quisermos manter 1,5°C coletivamente ao nosso alcance”.

Nesta carta conjunta, os países signatários referem que, “juntos, podemos ter sucesso no combate às alterações climáticas, proporcionando um crescimento resiliente e inclusivo e travando e revertendo a perda de florestas e a degradação do solo”.

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