Ignacio Madrid
Ignacio Madrid
CEO ei energia independente

Apesar das barreiras existentes devido à desinformação, os portugueses conhecem as vantagens do autoconsumo. Os principais benefícios que os inquiridos apontam são a poupança económica a médio e longo prazo que a instalação permite (64%), o facto de ser uma opção mais sustentável (56%), as ajudas e subsídios existentes para a sua instalação (42%), e a possibilidade de vender a energia que não é consumida (39%). E eles têm razão.

Autoconsumo: falta de informação é maior barreira à adesão

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Temos vindo a assistir ao aumento do preço da eletricidade, todas semanas a atingir níveis recorde. A má notícia é que a situação não vai mudar muito até ao fim do ano e, muito provavelmente, vai manter-se igual até à próxima Primavera. Porquê? Basicamente, por duas razões: os preços elevados dos direitos de emissão de CO2 e o custo crescente do gás natural. 

É por isso que, agora mais do que nunca, é tempo de pensar em alternativas que nos permitam aliviar os atuais aumentos de preços e quaisquer possíveis variações futuras no mercado. E uma delas é, sem dúvida, dar o passo para o autoconsumo: a melhor solução inteligente de energia quando se trata de combinar sustentabilidade e poupança. Dá poder ao consumidor, através do controlo total da produção e consumo de energia, ao mesmo tempo que o ajuda a poupar na sua conta de eletricidade.

Potência instalada aumentou

Entre o ano de 2019 e o ano de 2020, assistiu-se a um aumento da potência instalada de painéis fotovoltaicos para autoconsumo em Portugal de um pouco mais de 40MW (204 878 kW vs. 245 606 kW). Tudo sugere que em 2021 continuaremos a seguir esta linha. Na verdade, podemos até ultrapassá-la.

Contudo, apesar do impacto positivo do autoconsumo solar, os portugueses continuam a ver uma série de barreiras para dar o passo final no sentido da instalação de painéis solares nos seus telhados.

Quais? De acordo com um estudo realizado pela ei energia independente, a principal razão é o investimento inicial necessário (69%), seguido do custo de manutenção dos próprios painéis (51%) e em último o custo da logística de instalação, tais como licenças da DGEG, a duração das obras, (42%).

O que é que estes resultados nos mostram? Que ainda existe uma grande falta de conhecimento entre a população sobre o autoconsumo solar fotovoltaico.

As instalações estão a tornar-se cada vez mais rentáveis e os períodos de retorno estão a tornar-se cada vez mais curtos. De facto, é possível que o investimento possa ser amortizado, com preços de eletricidade tão elevados, por seis a sete anos. E, entretanto, há poupanças significativas na fatura da eletricidade.

Programa de apoio ao autoconsumo

Além disso, existe outro fator fundamental que faz desta a melhor altura para investir: os incentivos do Estado à compra de painéis solares com o Programa “Edifícios mais Sustentáveis”. Com o objetivo de reforçar ao máximo a eficiência e poupança energética dos edifícios, o fundo comparticipa até 85%, permitindo aos consumidores pouparem até 2 500 euros. Este é um apoio exclusivamente habitacional, para proprietários individuais de moradias, apartamento ou de prédios de habitação multifamiliares.

Pela primeira vez, a energia elétrica produzida através de painéis solares correspondeu a um décimo das necessidades de eletricidade da UE-27 durante os meses de junho e julho deste ano, ficando estabelecido assim um novo recorde na quota de produção de energia solar durante o pico do verão de 2021, de acordo com dados do grupo de reflexão e investigação em energia Ember. 

Apesar das barreiras existentes devido à desinformação, os portugueses estão conscientes das vantagens do autoconsumo. Duas faces da mesma moeda. Citando ainda os resultados do nosso estudo, os principais benefícios que os inquiridos apontam são a poupança económica a médio e longo prazo que a instalação permite (64%), o facto de ser uma opção mais sustentável (56%), as ajudas e subsídios existentes para a sua instalação (42%), e a possibilidade de vender a energia que não é consumida (39%). E eles têm razão.

Estamos no momento propício para repensar a forma como consumimos energia. Se queremos que o autoconsumo de energia seja a solução, é necessário que os agentes envolvidos na mudança assumam a responsabilidade e garantam que os consumidores estão bem informados de todas as alternativas disponíveis no mercado.

Foto de destaque de Bill Mead

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