Alexandre Silveira
Alexandre Silveira
Diretor de Marketing da HP Portugal

O tema da sustentabilidade cola bem com os valores das gerações mais novas, os Millennials, os Z e muito em breve os Alpha. São os atuais e futuros consumidores. Desde cedo que estas gerações foram alertadas para o risco que corre o planeta que herdaram das gerações anteriores. E muitas empresas querem entrar rapidamente no comboio em andamento deste movimento por um planeta mais sustentável.

A Sustentabilidade e a Mulher de César

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Começo pelo fim – diz o adágio que a mulher de César para além de ser séria também tem que parecer séria.

O mesmo se aplica à abordagem das empresas ao tema da Sustentabilidade. Para além das declarações de intenções, as empresas e organizações têm que mostrar factualmente o que estão a fazer para melhorar o planeta.

O tema da sustentabilidade cola bem com os valores das gerações mais novas, os Millennials, os Z e muito em breve os Alpha. São os atuais e futuros consumidores. Desde cedo que estas gerações foram alertadas para o risco que corre o planeta que herdaram das gerações anteriores. E muitas empresas querem entrar rapidamente no comboio em andamento deste movimento por um planeta mais sustentável.

Em muitas situações o problema é que esta entrada no comboio se faz sem bilhete, apenas se fica pelas intenções. As novas gerações têm acesso e partilham muito mais informação que as anteriores, sobretudo devido às redes sociais, independentemente desta informação ser credível ou até verdadeira. Isso contribui para um escrutínio muito maior do que as empresas dizem e fazem, e se o discurso não estiver alinhado com a prática, o preço a pagar na imagem das empresas é elevado.

No tema da sustentabilidade este efeito é conhecido como o greenwashing, a tentativa de as empresas esconderem as suas más práticas de sustentabilidade debaixo de uma capa de declarações de defesa do planeta.

É melhor adotar uma postura discreta e começar as mudar as práticas de sustentabilidade da empresa, do que tentar ganhos de imagem de curto prazo que se podem traduzir em maiores custos no futuro.

Sustentabilidade não é só ambiente…

Outra perceção errada relativa à sustentabilidade é que começa e acaba no ambiente. Muitas empresas mostram-se a replantar áreas afetadas por incêndios ou outros fenómenos e encerram aí o seu dossier da sustentabilidade. 

O conceito da sustentabilidade vai muito mais além, visa criar uma mudança positiva e de longo prazo para o planeta. Esta mudança não se limita ao tema do ambiente, sem desvalorizar a sua importância. É fundamental a transformação dos negócios para caminhar para uma economia circular com uma reduzida pegada de carbono.

Mas é igualmente importante promover a dignidade, o respeito e o desenvolvimento das pessoas. E contribuir para as comunidades em que as empresas se inserem, com formação, recursos e tecnologia para promover o progresso das pessoas que a constituem.

Estas práticas começam em casa. Antes de as empresas se dedicarem a mostrar o que fazem para fora devem olhar para dentro e analisar as suas práticas. E questionarem se o seu negócio contribuiu para uma economia circular e de baixo carbono. E se as suas políticas de pessoal promovem a diversidade e a inclusão. Se a sua empresa contribui para a comunidade, fomentando o seu progresso social.

Nesta área não existe um roadmap para a meta. A sustentabilidade não é um objetivo, é uma prática, um percurso constante. Nesta área também não existem gurus, nem superioridades morais, o caminho é de todos e de cada um, para mudar o planeta de forma positiva e permanente.

 E mais importante do que parecer sério, é começar por ser sério, como a mulher de César.

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