O ano termina com uma notícia veiculada pelo coreano “The Chosun Ilbo”, segundo o qual a Hyundai, depois de ter decidido terminar com o departamento de desenvolvimento de motores de combustão interna, tinha também suspendido o desenvolvimento de uma nova geração de soluções a hidrogénio.

Oficialmente não há confirmação da pausa nos fuel cell, mas esta hipótese fez com que as bolsas reagissem (após as notícias de que o Hyundai Motor Group suspendeu o projeto do modelo Genesis a hidrogénio, no mesmo dia, as ações relacionadas com o hidrogénio caíram no mercado coreano), ainda que um porta-voz da Hyundai tenha declarado ao diário sul-coreano Maeil Business que o conteúdo publicado pelo “The Chosun Ilbo” é falso.

Este mesmo porta-voz diz que “o construtor Hyundai nega a especulação, mantendo no seu planeamento o desenvolvimento da sua nova geração fuel cell”.

O facto é que as notícias não são inteiramente claras e fomos, por isso, tentar apurar mais elementos.

Hyundai Nexo, modelo a hidrogénio equipado com a segunda geração de fuel cell da marca coreana. O seu herdeiro, com a terceira geração desta tecnologia, está com um ponto de interrogação.

Baseado no que o principal jornal sul-coreano escreve, o “The Maeil Business Newspaper”, a Hyundai não suspendeu o desenvolvimento do hidrogénio, mas poderá ter ajustado (leia-se, adiado) a sua agenda de lançamentos em matéria de fuel cell, em virtude de dificuldades técnicas surgidas.

Indica o “The Maeil Business Newspaper”, designadamente na sua versão inglesa, que a meta de colocar na estrada em 2025 uma frota de modelos Genesis a hidrogénio sofreu um contratempo.

As metas em que o construtor estava a trabalhar

Isto porque para isso ser conseguido, o construtor terá de ter devidamente pronta e testada a sua terceira geração de células de combustível até 2023. E é, precisamente, aqui que as coisas se complicam.

A empresa supostamente terá encontrado um problema com a membrana permutadora de protões, vulgo células de combustível a hidrogénio, na sua tentativa de melhorar a versão atual, depois dos problemas de durabilidade nas unidades de primeira e segunda geração.

O aperfeiçoamento técnico da membrana estará, por isso, a demorar mais do que o esperado, estando tremidas as metas traçadas pelo construtor para 2023 e, por arrasto, para 2025.

A Hyundai nega, porém, a especulação, alegando que o seu roteiro para o desenvolvimento de células de combustível de próxima geração, bem como a eletrificação do modelo Genesis permanece intacto.

Alterações na estrutura

As recentes alterações efetuadas pela Hyundai na sua estrutura dirigente colocam também algumas interrogações, podendo ser lidas em diferentes sentidos. Assim, se há quem veja na substituição de Albert Biermann (até aqui o diretor da divisão de Pesquisa e Desenvolvimento da marca) a prova de que há alguns problemas, outros olham para a nomeação de Park Jung-guk como substituto de Biermann como a demonstração de que a Hyundai mantém no horizonte o hidrogénio, dado que Jung-guk era até aqui o presidente da divisão fuel cell da companhia e que também irá liderar os negócios gerais de hidrogénio.

Mas as fontes do “The Chosun Ilbo” dão nota de que, com a reorganização efetuada na equipa de investigação e desenvolvimento da Hyundai, a divisão de fuel cell da empresa terá ficado significativamente reduzida.

O “The Maeil Business Newspaper” refere que um representante da Hyundai Motor disse que esta mudança organizacional relacionada com o negócio de hidrogénio visa fortalecer a equipa, acrescentando que este género de alterações “são frequentemente feitas”, estando “em linha com ajustes de desenvolvimento durante a execução dos projetos”.

O que são “ajustes de desenvolvimento”, em concreto, a marca não explica, mas somando “a” mais “b”, tudo parece sugerir que há, pelo menos, um reajuste no calendário do hidrogénio.

Há ainda indicações de que estas dificuldades técnicas fazem com que a marca sul-coreana seja incapaz de cumprir a meta original em termos de redução de custos de produção das fuel cell em 50% (também devido à falta de um mercado de hidrogénio de maior dimensão) para garantir a competitividade destas propostas, o que se afigura um obstáculo também para as metas inicialmente estabelecidas para 2023 e 2025, envolvendo o Genesis.

Hidrogénio e os seus “calcanhares de Aquiles”

O “The Chosun Ilbo” fala ainda da existência de uma auditoria interna na Hyundai que aponta para a falta de infraestrutura de abastecimento e para o facto de que a tecnologia relacionada com o hidrogénio ainda não está madura o suficiente para se falar sobre “economia do hidrogénio” e “hidrogénio verde”, pelo que toda esta reformulação à volta do projeto fuel cell do construtor sul-coreano não tem apenas que ver com o problema tecnológico com que a Hyundai Motor se está a deparar.

Recorde-se que a Hyundai tinha desenvolvido o seu plano de negócios e estratégia “Hydrogen Vision 2040”, baseado na estimativa de que o preço de um veículo fuel cell se tornasse idêntico ao de um elétrico a bateria (BEV) até 2030.

Vision FK Concept, da Hyundai. Protótipo com a terceira geração de células de combustível em desenvolvimento, mostrado em setembro último.

Toda esta turbulência acontece cerca de três meses depois da Hyundai ter revelado o protótipo de um modelo, o Vision FK Concept, desportivo de tração traseira de 680 cv, 600 km de autonomia e equipado com este sistema de célula de combustível de terceira geração em que a marca trabalha. Em comparação com a célula de combustível de segunda geração montada no Nexo, um ligeiro de passageiros a hidrogénio à venda e que testámos (ler ensaio aqui), o volume destas células foi reduzido em 30% e a durabilidade aumentou de duas a três vezes.

Aguardamos com expectativa os desenvolvimentos sobre os planos da Hyundai em termos de hidrogénio, visto que é um dos emblemas automóveis que se tem revelado mais convicta da tecnologia.

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