A sustentabilidade é palavra de ordem nos dias que correm. Surge muitas vezes associada ao ambiente, mas já se sabe que a sustentabilidade ambiental só é possível num equilíbrio entre economia e sociedade.

No que respeita à sustentabilidade social, a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é um dos caminhos trilhados nos últimos anos.

Remuneração salarial equitativa, funções tradicionalmente de homens poderem ser feitas por mulheres e vice-versa, progressão de carreira justa para ambos os sexos são alguns dos itens a ter em atenção neste tema.

fairtiq
Carolina Costa e Telma Correia

As empresas estão cada vez mais atentas a esta “sustentabilidade social” no mundo do trabalho. Na FAIRTIQ, empresa tecnológica, foi dada a oportunidade a mulheres que optaram por estudar novas tecnologias. Recorde-se que em Portugal, 86,7% dos estudantes de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) são homens, de acordo com um estudo recente da Eurostat.

Falámos com Telma Correia e Carolina Costa que, após um processo de recrutamento perfeitamente igualitário começaram a trabalhar nesta empresa suíça que desenvolveu uma aplicação para smartphone que simplifica as viagens de transportes públicos.

Telma Correia afirma ter sido sempre uma curiosa pela forma como as máquinas trabalham. Quando teve o seu primeiro computador, esse gosto cresceu. Assim, no percurso académico enveredou pelo estudo de engenharia informática e de computadores.

A entrada para a FAIRTIQ “foi semelhante ao recrutamento de qualquer outra empresa”, recorda, e cedo percebeu que “ser mulher não representava qualquer dificuldade”.

Carolina Costa não sabia muito bem qual a área profissional que gostaria de perseguir. Mas decidiu inscrever-se no curso de engenharia informática. A paixão pela área foi crescendo e assim iniciou a sua aventura profissional nas TIC. Carolina Costa recorda que foi o processo de recrutamento que a fez “imediatamente” aceitar a proposta da FAIRTIQ porque “percebeu que a empresa valoriza os recursos humanos”. Carolina afirma que “nunca sentiu que o facto de ser mulher fosse um entrave no seu processo de recrutamento”.

Mulheres cada vez mais “tecnológicas”

Baseado apenas na observação Carolina e Telma consideram que há uma mudança de paradigma. Carolina Costa comenta que “ao longo dos anos que esteve na faculdade e também agora a trabalhar na FAIRTIQ noto um aumento do interesse das mulheres nas novas tecnologias”. Carolina Costa acredita “que há uma mudança de mentalidade em curso”.

Mereda Richter, manager do departamento de engenharia da FAIRTIQ, também diz que há “definitivamente uma mudança” a acontecer, recordando que “quando comecei a trabalhar nas TIC as entrevistas eram feitas sempre por homens. Não foi estranho em nenhum momento, era apenas um reflexo de como esta indústria era. Mas este paradigma está a mudar”.

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A mudança começa na juventude

As nossas interlocutoras defendem que as empresas podem incentivar as mulheres a trabalhar na indústria das TIC promovendo a igualdade de oportunidades. Não esperam ser tratadas de forma diferente, mas sim ter reconhecimento idêntico.

Mereda Richter acrescenta ainda que é na escola secundária que a mudança pode começar a ser feita, incentivando as jovens estudantes a enveredar por estas áreas de conhecimento. “Estamos a lutar contra décadas de hábitos sociais. Infelizmente a mentalidade social evolui de forma muito mais lenta do que a tecnologia que desenvolvemos”, comenta. Mereda Richter acrescenta que “todos nós como cidadãos, mas também as empresas e as universidades têm um papel importante nesta mudança de pensamento”.

Diferentes na igualdade

A capacidade intelectual de ambos os géneros para trabalhar em TIC é indiscutível para estas profissionais. No entanto, existem as diferenças emocionais e aí homens e mulheres têm posturas diferentes que potenciam o equilíbrio de uma equipa. Mereda Richter comenta que “a maior vantagem que as mulheres trazem para a empresa é a diversidade de pensamento.  Quanto mais diferentes formos, maior a probabilidade de encontrarmos soluções alternativas e conseguir desenvolver algo realmente inovador”. Mereda Richter reforça que isto não está relacionado “com ter apenas mulheres na equipa, mas pessoas com diferentes conhecimentos, cultura e experiências”.

Atualmente, trabalham no departamento de TIC da FAIRTIQ quatro mulheres, duas delas são portuguesas. Em breve a equipa poderá crescer com mais duas colegas igualmente portuguesas.

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