Alemanha quer abolir apoios para PHEV: CEO da Audi concorda

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Alemanha quer abolir apoios para PHEV: CEO da Audi concorda
Markus Duesmann, CEO da Audi

Markus Duesmann, presidente executivo da Audi, elogiu a decisão do governo alemão de abolir os apoios para a compra de veículos híbridos plug-in, destacando que as viaturas 100% elétricas constituem uma oportunidade única para a indústria europeia liderar o mundo na transição para os EV.

“Como indústria automóvel alemã, temos que unir forças em tornpo dos veículos elétricos a bateria (BEV) como opção de mobilidade individual, precisamente porque são necessários investimentos muito elevados, designadamente ao nível da infraestrutura de carregamento”, refere Markus Duesmann.

Falando durante a Ludwig Erhard Summit, evento dedicado às questões económicas e políticas internacionais, o CEO da Audi sublinha o seu empenho neste processo: “Estou decididamente comprometido com esta tecnologia. É por isso que também apoio o facto de a ajuda para a compra de híbridos plug-in expirar no final deste ano”.

Quais são os apoios atuais na Alemanha para EV e PHEV?

Atualmente, o Estado federal alemão contribui com um incentivo de até 6.000 euros para a compra de um EV e de até 4.500 euros para a compra de um híbrido plug-in. Duesmann diz que aboliria este segundo tipo de apoio de bónus para alocar mais fundos para os BEV.

Preço de venda EVApoio FederalApoio do construtorTotal
€40,000 €6,000 €3,000 €9,000
€40,000 a €65,000 €5,000 €2,500 €7,500

Preço de venda PHEV Apoio Federal Apoio do construtor Total
€40,000 €4,500 €2,250 €6,750
€40,000 a €65,000 €3,750 €1,875 €5,625

O que se sabe é que o Ministério da Economia da Alemanha tenciona, em 2023, eliminar o subsídio para a aquisição de híbridos plug-in, bem como reduzir o apoio à aquisição de automóveis elétricos, de 6.000 para 4.000 euros. Este valor passará para 3.000 euros em 2024 e 2025, sendo eliminado para o ano de 2026.

“Queremos colocar o foco do nosso apoio nos carros elétricos e focar-nos mais na proteção climática”, refere o ministro da Economia Robert Habeck, membro do partido dos Verdes para quem “os híbridos plug-in são comercializáveis e não precisam mais de financiamento público”.

A VDA (Associação dos Fabricantes de Automóveis) alemães criticou, contudo, esta medida governamental, na medida em que a eliminação dos subsídios ignora a realidade dos consumidores, já que “os híbridos plug-in servem como pioneiros para a transição para mobilidade elétrica”.

Hildegard Mueller, que lidera a VDA, defende que os “híbridos plug-in servem como pioneiros na transição para a mobilidade elétrica”.

Para Duesmann, esta reconfiguração da ajuda defendida pelo governo alemão faz, no entanto, sentido: “O uso mais eficiente [da energia elétrica] na mobilidade rodoviária é esse. Se usarmos o hidrogénio verde como fonte de energia para os nossos veículos, ele não será utilizado na descarbonização noutras áreas, por exemplo, na indústria siderúrgica”.

Duesmann considera que, a Europa tem “a oportunidade de se tornar líder mundial “em mobilidade elétrica e em novas tecnologias, em descarbonização. A redução artificial [pela redução de impostos, n.d.r.] dos preços dos combustíveis não suporta os nossos objetivos reais de economizar combustíveis fósseis. Se tomarmos decisões claras na Europa, o resto do mundo seguirá”.

Em Portugal, o tema começa a ser falado e, recentemente, a UVE – Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos lançou uma recolha de assinaturas para que o tema dos incentivos e da venda de veículos com motores de combustão venha a ser discutido na Assembleia da República.

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