O debate sobre a forma e a velocidade da transição energética foi um dos pontos fortes da 6ª edição do Fórum Nissan para a Mobilidade Inteligente que decorreu num formato híbrido, entre online e presencial, no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa.

Nos três painéis subordinados aos temas “Condução Inteligente”, “Energia Inteligente” e “Integração Inteligente” participaram 14 oradores, nacionais e estrangeiros, das mais variadas áreas de atividade desde o setor automóvel, à produção e distribuição de energia, tecnologias de informação, mobilidade multimodal e até mesmo da atividade seguradora.

Se é verdade que descarbonização e sustentabilidade fazem parte do nosso léxico quotidiano desde há vários anos, porque é que este tema ainda permanece tanto na ordem do dia e a sua discussão é mais premente que nunca?

Talvez a melhor ilustração da problemática seja a que foi dada por António Coutinho, presidente da EDP Inovação, na sua intervenção sobre “Os Desafios da Transição Energética”.

António Coutinho, Presidente da EDP Inovação

Perante a pergunta que ele próprio colocou de “o que é que vos aconteceria pessoalmente se amanhã deixasse de haver petróleo?” a resposta mais comum talvez fosse “eu deixaria de andar de carro!”. Mas a verdadeira resposta é “morreríamos todos à fome”!

“A realidade atual é que o nosso mundo gira em torno do petróleo e sem o petróleo seríamos incapazes, por exemplo, de produzir e transportar os alimentos para a população mundial”, afirmou António Coutinho.

Contudo, o imperativo de garantirmos que a temperatura média do planeta não ultrapassa o 1,5ºC, torna “obrigatório mudar o paradigma e acabar com a dependência dos combustíveis fósseis para acelerar a transição energética para a eletricidade. Atualmente 83% das emissões provêm do consumo de energia. A mobilidade, que representa 19% das emissões, é a grande consumidora de petróleo. É aqui que temos de atuar rapidamente, até porque a tecnologia já existe”, afirma António Coutinho.

“Há 15 anos no mundo investiam-se cerca de 50 biliões de dólares por ano na transição energética. O ano passado este investimento foi de 755 biliões de dólares. O número é curto. Temos de chegar aos triliões”, refere Coutinho.

“O principal destino deste investimento é a área das energias renováveis logo seguida pela área da eletrificação dos transportes. E está previsto que já este ano a eletrificação dos transportes seja a principal área dos investimentos na transição energética”, concluiu o responsável da Inovação na EDP.

“Chegar a uma neutralidade de carbono em 2050 vai exibir uma alteração brutal da economia a todos os níveis. Temos de acabar com carvão e investir nas eneregias renovaives, em especial o vento e o solar”, diz António Coutinho.

Para Portugal, António Coutinho pediu uma maior agilização dos procedimentos administrativos e a importância de tornar mais rápidas as aprovações e as legalizações de projetos destinados à implementação de painéis solares e carregadores para que o esforço de transição energética não esbarra na burocracia.

“As aprovações são demasiado demoradas. Não dá para esperar. A regulação tem de ser clara, estável e ajude a que os investimentos”, indica o responsável da EDP Inovação.

No Fórum da Mobilidade Inteligente organizado pela Nissan, o diretor-geral da Nissan Portugal destacou o plano do fabricante para a implementação de uma mobilidade descarbonizada.
Antonio Melica referiu que a marca tem desenvolvido a sua atividade inspirada no conceito japonês Kabuku que se pode traduzir como o desafio do status quo, e de ousar fazer aquilo que nunca ninguém fez.
Nesse sentido, Antonio Melica reforçou o plano de eletrificação da Nissan que leva a que, em 2023, toda a gama de modelos estará eletrificada.
A marca aposta na redução dos custos associados à atual geração de baterias para automóveis elétricos e no desenvolvimento e introdução no mercado, em 2028, de uma completamente nova geração de baterias de estado sólido para EV, com uma duplicação da densidade energética face às atuais baterias de ião-lítio e com tempos de carregamento um terço mais rápidos do que os atuais.
No Forum, ficou ainda a saber-sem através de Andy Marsh, Vice-presidente de Engenharia de Produção e Estratégia de Fabrico da Nissan Europe, que o construtor irá ter, até 2030, três
“O nosso investimento na eletrificação da gama já atingiu os 7,8 mil milhões de euros, mas nos próximos cinco anos vamos duplicar este valor e prevemos atingir os 15,6 mil milhões. Este plano faz parte do nosso compromisso de atingir até 2050 a completa neutralidade carbónica da nossa atividade global”, conclui Antonio Melica.
Antonio Melica, diretor-geral da Nissan Portugal
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