A falar numa cerimónia, em Vila do Conde, de assinatura de um protocolo de intervenção para proteger o sistema de dunas entre Mindelo e a Ribeira de Silvares, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, alertou esta sexta-feira que Portugal é na Europa “um dos países que mais sente e vai sentir” os efeitos das alterações climáticas como a subida do nível das águas do mar.

O governante referiu que “todo o litoral vai obrigar a uma atuação permanente, vigilante e persistente de recarga de praias, reposição do sistema dunar, manutenção de estruturas de defesa costeira, de desassoreamento dos sistemas dunar e das barras”.

A propósito das declarações do ministro, vale a pena olhar para qual será o efeito da subida do nível da água do mar, provocada pelas alterações climáticas.

Subida em 43 cm

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) em 2019 referiu que, mesmo num cenário de cumprimento do Acordo de Paris, assistir-se-á a uma subida do nível do mar em 43 cm, no ano 2100.

E se as metas estabelecidas neste acordo climático não forem cumpridas, o degelo poderá provocar um aumento do nível das águas provocado pelo degelo dos polos que pode atingir o metro de altura.

Numa estimativa mais direcionada para Portugal, a partir da ferramenta da Climate Central, constata-se que as zonas ribeirinhas serão das que drasticamente mais serão afetadas pelo aquecimento global, como será o caso da zona de Aveiro, da área do estuário do Tejo e da Ria Formosa em Faro. Isto para mencionar apenas três casos.

Outro estudo sobre a subida do mar

Noutro estudo, os cientistas Carlos Antunes, Carolina Rocha e Cristina Catita, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, criaram em 2017 um conjunto de mapas que pretendem ser um contributo para a avaliação da vulnerabilidade costeira associada à subida do nível médio das águas e às inundações causadas pela ocorrência de eventos extremos.

Nesses mapas foram avaliados cenários para 2025, 2050 e 2100 com diferentes períodos de retorno de eventos extremos para os quais foi produzida cartografia de vulnerabilidade física da orla costeira de Portugal Continental que será afetada pela subida do nível médio do mar.

A cartografia criada por estes três cientistas representa as zonas que ficarão frequentemente submersas em cenários futuros devido única e exclusivamente à subida do mar, de acordo com a Directiva Europeia 2007/60/CE.

São estes os níveis percentuais de submersão anual, com as respetivas horas no ano em que cada zona ficará submersa, de forma permanente, e os níveis de maré correspondentes:

Fonte: www.snmportugal.pt

Os investigadores analisaram cenários de submersão frequente e cenários de inundação extrema, quando a maré atinge picos máximos em preia-mar (a chamada maré cheia).

Em Lisboa, por exemplo, que chega à cota máxima de 2,48 metros, em 2050, com a subida do nível médio do mar, teremos um máximo de 2,62 metros.

Em 2050 a área inundável devido à subida do nível do mar em Portugal será de 903 km2, podendo, numa situação extrema, passar a 1146 km2 em 2100.

De acordo com esta análise, perto de 150 mil portugueses que vivem na faixa de risco em 11 concelhos e distritos de Portugal Continental podem ficar numa situação vulnerável já em 2050, perante uma subida média de um metro no nível do mar

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