Joana Boavida-Portugal
Joana Boavida-Portugal
Investigadora do MARE, polo da Universidade de Évora

Para continuarmos a pescar de forma sustentável, é necessário adotarmos novas formas de pesca e incluir as mudanças projetadas nas medidas de gestão, tornando-a adaptativa. A indústria pesqueira e os governos têm tido dificuldade em chegar a acordo sobre a melhor forma de gerir as alterações nas populações de peixes, em particular se os peixes atravessarem fronteiras internacionais ou se as capturas precisarem de ser consideravelmente reduzidas.

As alterações climáticas e o efeito sobre as comunidades piscícolas e a pesca

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As alterações climáticas estão a causar impactos massivos e duradouros sobre os ecossistemas aquáticos. Existem vários estudos que exploram as mudanças em termos de latitude e/ou profundidade das espécies, como resposta a essas mudanças ambientais. Essas mudanças podem levar quer à extinção local de determinadas espécies, quer à invasão por outras, resultando em alterações no padrão de distribuição das espécies. A redistribuição projetada de espécies aquáticas pode perturbar a biodiversidade e os ecossistemas, levando a que os bens e serviços fornecidos por estes possam também ser afetados.

O fornecimento de alimentos – através da pesca comercial por exemplo – é um dos serviços fundamentais para a manutenção do bem-estar e para o desenvolvimento económico e social futuro. Dado o aumento significativo da população humana e da demanda por alimentos suficientes e seguros, é fundamental prever e antecipar a natureza e a magnitude dos impactos potenciais das mudanças climáticas na produção de alimentos.  Especialmente para países como Portugal, que é o terceiro país com o maior nível de consumo de peixe per capita do mundo.

No entanto, pouca atenção tem sido dada à antecipação dos efeitos das mudanças climáticas nas espécies aquáticas. Com as espécies aquáticas a mover-se gradualmente para águas mais frias, as espécies de águas mais quentes estão a substituir aquelas tradicionalmente capturadas em muitas pescarias em todo o mundo. Prevendo-se que as zonas nos trópicos registem declínios de até 40% nas capturas potenciais de peixe e marisco até 2050. As alterações climáticas ameaçam as populações de peixes, mas também criam novas oportunidades para a pesca. Já que as zonas situadas em latitudes mais elevadas, como o Atlântico Norte e o Pacífico Norte, estão a ver aumentar a área de distribuição de algumas espécies com interesse comercial.

Estas alterações colocam desafios. Para continuarmos a pescar de forma sustentável, é necessário adotarmos novas formas de pesca e incluir as mudanças projetadas nas medidas de gestão, tornando-a adaptativa. A indústria pesqueira e os governos têm tido dificuldade em chegar a acordo sobre a melhor forma de gerir as alterações nas populações de peixes, em particular se os peixes atravessarem fronteiras internacionais ou se as capturas precisarem de ser consideravelmente reduzidas. E esse parece ser o grande desafio do futuro das pescas um pouco por todo o mundo.

Foto de destaque de Robin Ooode

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