Pedro Nazareth
Pedro Nazareth
CEO do Electrão

O mercado paralelo desvia os equipamentos com maior valor de mercado e não garante a correcta descontaminação e remoção das substâncias perigosas que estes resíduos contêm. Esta prática provoca um impacto muito significativo no ambiente e na saúde pública, além de não assegurar o correcto processamento dos resíduos e a sua contabilização para as metas nacionais de reciclagem.

Os novos desafios da reciclagem em Portugal

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O Electrão está a assinalar 17 anos ao serviço da reciclagem em Portugal. Ao longo destas quase duas décadas encaminhou para reciclagem mais de 665 mil toneladas de equipamentos eléctricos, pilhas e embalagens usadas. 

O percurso do Electrão, uma das principais entidades gestoras nacionais, responsável por gerir três dos principais tipos de resíduos produzidos nas casas e nas empresas, tem sido pautado pelo crescimento sustentável, ano após ano. 

A rede própria de recolha de equipamentos eléctricos tem crescido de forma gradual e sustentada desde 2014, ano em que foi relançada a estratégia de crescimento desta rede de recolha, contribuindo para os bons resultados atingidos. No total, mais de 488 mil toneladas de equipamentos eléctricos foram recolhidos e enviados para reciclagem pelo Electrão entre 2005 e 2021. 

A quantidade de pilhas e baterias em fim de vida recolhidas e enviadas para reciclagem tem crescido exponencialmente, desde 20210, e em 2021 mais do que duplicou. Mais de 2655 toneladas de pilhas foram reencaminhadas pelo Electrão para reciclagem na última década.

No que diz respeito às embalagens, fluxo que o Electrão passou a gerir em 2018, também há a registar um crescimento significativo. De 27 mil toneladas recicladas em 2018 passou-se para 54 mil toneladas em 2021, o que perfaz um total acumulado de 173 mil toneladas ao longo destes últimos quatro anos.

As múltiplas campanhas de sensibilização e comunicação desenvolvidas ao longo destes anos – como é o caso do Quartel Electrão; Escola Electrão; Remuseu; Escuteiros Electrão; TransforMar; Faz Pelo Planeta By Electrão e um projecto piloto para a recolha de grandes electrodomésticos porta-a-porta – são uma referência a nível nacional e têm sido determinantes para os resultados alcançados. 

Combate ao mercado paralelo

Mas as metas de reciclagem definidas para os vários fluxos são ambiciosas e para cumpri-las é preciso reforçar estratégias e actuação. O Electrão tem encabeçado uma luta contra o problema que representa o mercado paralelo, um dos grandes constrangimentos do fluxo de resíduos eléctricos, que impede que os equipamentos sejam devidamente descontaminados e reciclados.  

O mercado paralelo desvia os equipamentos com maior valor de mercado e não garante a correcta descontaminação e remoção das substâncias perigosas que estes resíduos contêm. Esta prática provoca um impacto muito significativo no ambiente e na saúde pública, além de não assegurar o correcto processamento dos resíduos e a sua contabilização para as metas nacionais de reciclagem.

O Electrão já tornou público um conjunto de propostas que poderiam ajudar a resolver este problema num documento que chamou “Agenda Nacional dos Eléctricos”. Dois dos pontos mais importantes desta agenda passariam por garantir que as empresas e consumidores passassem a entregar os equipamentos usados directamente ao Electrão ou a operadores de gestão de resíduos seus parceiros e pelo reforço e modernização das iniciativas de fiscalização ao mercado paralelo. 

Os plásticos com poluentes orgânicos persistentes e outras fracções críticas constituem outro desafio para o futuro que está a ser acompanhado com grande atenção. O Electrão está a dar este ano um passo muito importante no controlo de plásticos poluentes com retardadores de chama, chamando a si a iniciativa de gestão desta fracção crítica. 

Incentivo financeiro aos consumidores

No que diz respeito às embalagens, o Electrão integra um dos projectos-piloto a nível nacional que apela à participação do cidadão no desígnio da reciclagem associando-lhe com uma componente inovadora: um incentivo financeiro sob a forma de um desconto no supermercado. O Electrão antecipa desta forma uma realidade que estará implementada em Portugal em breve com a operacionalização do sistema de depósito que conta com o envolvimento de todos. Reciclar mais é importante, mas não chega.

Apesar de todos os avanços no domínio da reciclagem esta solução está longe de ser uma resposta suficiente para os problemas com que nos deparamos. O princípio de descarte constante, ainda que aliado à reciclagem dos materiais, é insustentável. É importante estimular o uso dos recursos com mais parcimónia promovendo mudanças individuais e colectivas.

O grande desafio é global e vai além do R da Reciclagem: pressupõe Repensar; Recusar; Reutilizar; Reduzir. Esta mudança impõe-se. Nas nossas casas. Nas empresas. Para bem deste espaço comum que todos partilhamos.

Foto de destaque por John Cameron

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