Com vista ao reforço da valorização económica dos óleos alimentares usados (OAU), a Hardlevel – Energias Renováveis, o principal operador do mercado nacional de recolha e pré-tratamento de OAU, e o grupo Alves Bandeira, um dos protagonistas no comércio a retalho de combustíveis, estabeleceram uma parceria que permitirá dotar os mais de 160 postos de abastecimento da rede AB, do norte ao sul, com a mais recente tecnologia inteligente de recolha seletiva de OAU. O investimento inicial ascende a 250.000 euros.

A colaboração arrancou a 8 de julho com a inauguração do oleão Smart S+ que a Hardlevel terá a funcionar no posto de combustível da Alves Bandeira localizada na Zona Industrial das Urgueiras, no Lugar de Coito, em Albergaria-a-Velha.

Será o primeiro de muitos, num passo que vem reforçar a indústria que em Portugal reintroduz o óleo alimentar usado no circuito, sob a forma de biocombustível, contribuindo assim para que o país rume em direção às metas europeias de redução de emissões poluentes, de neutralidade carbónica e, igualmente, para o alcançar de uma maior independência energética.

Numa altura em que o aumento do preço dos combustíveis está a servir de indutor às fontes alternativas de energia, a Hardlevel encontra-se a reforçar a sua operação em Portugal e Espanha (onde dispõe de oleões inteligentes em mais de 200 municípios).

Os OAU recolhidos na rede da Alves Bandeira, refere Salim Karmali, administrador e cofundador da Hardlevel, serão prétratados para serem processados em biodiesel de baixas emissões de carbono, que será incorporado nos combustíveis fósseis de acordo com os mandatos e metas nacionais de incorporação em vigor. O combustível servirá, depois, os clientes que se abastecem diariamente nos postos da Alves Bandeira, nos municípios onde o retalhista está instalado.

Segundo os termos da parceria, alguns dos postos AB disponibilizarão ainda, para aquisição dos consumidores, o facilitador de descarte doméstico de OAU, uma inovação patenteada pela Hardevel, com o nome de Mini Olio Collecte.

Parque de oleões de Aveiro crescerá 10%

O distrito de Aveiro dispõe atualmente de um parque com um total 209 oleões inteligentes Smart S+ da Hardlevel, distribuídos pelos concelhos e vários retalhistas. Até o final do ano haverá um incremento de 10%, estando previstos chegarem aos 225. Com a inauguração de 8 de julho, o município de Albergaria-a-Velha aumenta para 17 o seu dispositivo de oleões Hardlevel instalados.

Nos termos do protocolo firmado com o grupo Alves Bandeira, a Hardlevel instalará um global de 151 oleões na rede de abastecimento de combustíveis, estando previsto um reforço posterior.

hardlevel

Em Portugal, o dispositivo da Hardlevel chega neste momento a mais de 100 concelhos portugueses (existindo várias dezenas em fase contratualização) e conta atualmente com cerca de 2.600 Oleões Smart S+ espalhados pelo território nacional. A empresa prevê ter instalados no final de 2022 mais de 3.000 Oleões Smart S+ (com tecnologia inteligente) em pelo menos 150 municípios de Portugal. O operador possui uma capacidade instalada de pré-tratamento de 50.000 toneladas anuais de OAU e 4.500 metros cúbicos de armazenagem instantânea, nos polos operacionais de Avanca (Aveiro) e Palmela (Setúbal).

O novo oleão inteligente da Hardlevel, o Smart S+, é sensorizado, o que permite conhecer o nível de enchimento e capacidade disponível em tempo-real e, assim, prevenir derrames na via pública. De uma outra forma, através de uma app associada, possibilita rastrear os depósitos de OAU feitos pelos munícipes, facultar digitalmente a sua localização e contabilizar a deposição de cada pessoa.

Os OAU recolhidos pela Hardlevel sofrem depois um pré-tratamento para remoção de impurezas, metais pesados e outros contaminantes, e destinam-se às biorrefinarias com quem a empresa tem contrato na Península Ibérica.

A parceria com a Alves Bandeira, sublinha Salim Karmali, é “uma etapa muito importante”. Porque atua sobre uma “pedra angular no circuito de valorização” destes resíduos, nocivos para a água e a atmosfera, precisamente na fonte que é responsável por cerca de 62% dos óleos alimentares usados produzidos em Portugal, isto é, as nossas casas.

O principal desafio do país está exatamente na recolha dos óleos alimentares usados domésticos (estimados mais de 40 mil toneladas anuais), que, de uma forma geral, continua ainda “numa fase inicial”, avalia o especialista.

“É notório um défice de sensibilização junto da população, faltam incentivos indutores de mudança no estado atual de coisas, e, como resultado, não obstante os investimentos que têm sido feitos por todos os agentes, o índice de recolha de OAU domésticos não está ainda em patamares aceitáveis”, reconhece o empresário.

A colaboração com o grupo Alves Bandeira é mais uma peça para tornar o puzzle português de reciclagem de OAU mais completo.

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