A Hardlevel, operador português de recolha, pré-tratamento e gestão de óleos alimentares usados (OAU) está a crescer internacionalmente. No espaço de um ano, a rede de valorização económica destes desperdícios que a Hardlevel – Energias Renováveis está a montar em Espanha, através da sua subsidiária NOX Energy – Feedstock Supply, chegou esta semana aos 500 oleões inteligentes (Smart S+) de capacidade instalada, distribuídos por mais de 80 municipalidades, anunciou a empresa.

Os municípios de San Joan d’Alacant, La Vall d’Uixó e a Mancomunitat Intermunicipal La Rectoria, que engloba as autarquias de Benimeli, Sagra, Ràfol de Almúnia, Tormos e Sanet y Negrals, foram os últimos a juntar-se ao circuito montado pela empresa portuguesa (de Vila Nova de Gaia) nas comunidades de Valência e Galiza. Na Diputación de Ourense, por exemplo, são 70 os municípios que aderiram recentemente à rede da Hardlevel/NOX Energy.

O dispositivo de recolha de óleos montado no país vizinho serve diretamente, na atualidade, um total de quase 200.000 habitantes, pretendendo chegar mais longe: a comunidade de Andaluzia é a próxima meta no mapa.

Até ao final do ano, a pretensão é ter instalados 1.000 oleões inteligentes em perto de 100 municípios espanhóis.

A Nox Energy, que atualmente recupera cerca de 4.000 toneladas anuais de OAU, “visa ultrapassar as 5.000 toneladas de resíduos transformados em biocombustível, ainda durante este ano de 2022″, revela Salim Karmali, administrador e co-fundador da Nox Energy, juntamente com o seu irmão, Karim Karmali, e o seu sócio espanhol, Antonio Doblado.

Ambientalmente nocivos, mas valorizáveis, os OAU podem ser reciclados para o fabrico das gerações mais recentes de biocombustíveis sustentáveis (como o HVO, do inglês hydrogenated vegetable oil, uma das gerações mais recentes de biodiesel, e o SAF, o sustainable aviation fuel, isto é, biocombustível de aviação).

OAU recolhidos alimentam biorrefinarias ibéricas

A crise nos combustíveis que marca a atualidade nacional e internacional emprestou um renovado oxigénio às fontes alternativas de energia. “E a indústria que em Portugal e Espanha recolhe e reintroduz o óleo alimentar usado no circuito económico contribui para que a Península Ibérica rume em direção às metas europeias de redução de emissões poluentes, de neutralidade carbónica e, igualmente, para o alcançar de uma maior independência energética”, salienta a empresa.

Tal como acontece em Portugal, os OAU recolhidos em Espanha sofrerão um pré-tratamento para remoção de impurezas, metais pesados e outros contaminantes, e destinar-se-ão às biorrefinarias com quem a Hardlevel tem contrato na Península Ibérica.

Em Portugal, o dispositivo da Hardlevel chega a mais de 120 municípios (existindo várias dezenas em contratualização, adianta a empresa) e conta atualmente com mais de 2.600 Oleões Smart S+. O operador possui uma capacidade instalada de pré-tratamento de 50.000 toneladas anuais de OAU e 4.500 metros cúbicos de armazenagem instantânea, nos polos operacionais de Avanca e Palmela.

A Hardlevel prevê ter instalados no final de 2022 mais de 3.000 Oleões Smart S+ (com tecnologia inteligente) em pelo menos 150 municípios portugueses.

Oleões inteligentes

Fernando Daròs Arnau, conselheiro de Sustentabilidade da valenciana La Vall d’Uixó, onde foram instalados 40 oleões Smart S+, para uma população de 31.000 habitantes, destaca o valor acrescentado dos novos equipamentos, ao nível da conetividade e estanquicidade: “Os oleões de recolha de óleos alimentares usados estão conectados com sensores que nos dão um maior controlo sobre a quantidade de material depositado. E a estrutura tem uma configuração anti-derrame”, o que evita trabalho extra e custos adicionais com operações de limpeza dos locais de instalação.

Na Mancomunitat Intermunicipal La Rectoria (em Alicante), de que fazem parte os municípios de Benimeli, Sagra, Ràfol de Almúnia, Tormos e Sanet y Negrals, foram implantados nesta fase inicial cinco oleões inteligentes, para servir uma população de 2.511 habitantes.

Aqui, o objetivo é chegar aos 50% de recolha de óleos alimentares usados, segundo o secretário-técnico da Mancomunitat, Juan Jesús Gilabert.

Para tal, será disponibilizado “aos residentes toda a infraestrutura necessária para incorporar nos seus hábitos diários a reciclagem do óleo alimentar usado. O objetivo de longo prazo, irrevogável, é construir um modelo sustentável de economia circular, no patamar dos resíduos domésticos”, frisa Juan Jesús Gilabert.

“Melhorar o serviço de recolha de OAU, em termos de limpeza e segurança dos oleões, e utilizar a última tecnologia disponível no mercado” foram as motivações de adesão do município de San Joan de Alicante à rede (agora servido por 19 oleões Smart S+ para uma população de 25.000 habitantes), nas palavras de Esther Iborra López, conselheira de Gestão de Resíduos e Limpeza Viária da autarquia.

A faculdade do oleão Smart S+ providenciar dados de utilização em tempo real foi outra das vantagens apontadas pela responsável, muito expectante quanto ao objetivo traçado no horizonte: um “aumento significativo” de reciclagem de OAU, que significará “triplicar os valores de anos anteriores”.

As motivações e os objetivos são sensivelmente os mesmos na Deputación de Ourense (Galiza), que instalou recentemente 265 contentores de recolha inteligente de OAU Nox Energy/Hardlevel nos 72 concelhos do território.

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