Jesse Milliken, ex-designer na Nike, e Megan Milliken, em 2020, assistiam impotentes aos incêndios que deflagraram no estado de Oregon, nos Estados Unidos da América. O casal sentia no ar o fumo e o cheiro a queimado. Foi então que sentiram o impulso de dar o seu contributo para melhor o ambiente. Juntos criaram a marca Woolybubs, sapatos sustentáveis desde a sua génese até ao seu fim.

A ideia é diminuir os resíduos gerados nesta fase da vida em que rapidamente os sapatos deixam de servir. Muitas vezes este lixo acaba em aterros sanitários. Para evitar este destino, os sapatos Woolybubs dissolvem-se em água a ferver. De sublinhar, que os sapatos não se dissolvem se a criança os colocar na boca.

De acordo com a revista Fast Company, os sapatos são feitos de álcool polivinílico (conhecido como PVA), um polímero sintético solúvel em água usado numa variedade de outros produtos, desde cosméticos a revestimento de comprimidos, passando por embalagens de detergente em cápsula.

Jesse Milliken refere que “os seus produtos também se decompõem em instalações de compostagem industrial. Além disso, a produção com PVA requer menos energia e água comparando com outros materiais, como couro, algodão e lã”.

O que acontece ao produto dissolvido?

O PVA dissolve-se na água a ferver, mas fica retido neste líquido, tal como acontece por exemplo com o sal na água – dissolve-se, mas fica presente na água. É aqui que surjem algumas dúvidas. Um artigo da Fast Company esclarece que alguns estudos apontam para que o PVA seja totalmente biodegradável em água, outros argumentam que o mesmo não ocorre numa estação de tratamento de esgoto. Isto porque certas bactérias precisam de estar presentes para fazer a decomposição. Além disso, o sistema precisa da temperatura ideal e do tempo suficiente.

Para tirar todas as dúvidas, a Woolybubs encomendou um estudo para testar se os sapatos são totalmente biodegradáveis, sem criar microplásticos ou outro tipo de resíduos.

Dissolvem na água, mas duram no pé

Apesar da característica de se dissolverem, os sapatos são resistentes e o objetivo dos criadores é que possam ser reutilizados por vários bebés.

O material utilizado é semelhante à seda e não incluem elásticos, para serem mais confortáveis e reduzir a pegada carbónica.  “Queríamos usar geometria mecânica para permitir que o sapato abrisse e depois fechasse novamente, e permanecesse no pé”, explica Milliken.

As ideias sustentáveis do casal norte-americano continuam e os próximos sapatos da marca poderão ser feitos com tereftalato de polietileno (PET) reciclado com solado de silicone. Quando os sapatos se desgastarem, os clientes podem devolvê-los para serem reciclados; o tecido pode ser reaproveitado em novos fios e dar origem a novos sapatos.

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