Ana Pombo
Ana Pombo
Professora Coordenadora - Politécnico de Leiria Investigadora doutorada e coordenadora da Linha de Investigação em Aquacultura e Pescas do MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente)

A produção de várias espécies de diferentes níveis tróficos, como peixes, invertebrados e algas, de forma integrada, denominada aquacultura multitrófica integrada (IMTA), tem despertado interesse. Esta forma de cultivo, em tanques de terra em regime extensivo ou semi-intensivo, pode viabilizar estas produções menos intensivas e desempenhar um papel importante nos ecossistemas. Isto porque se consegue um controlo do ciclo dos nutrientes e, assim, as descargas efetuadas para o meio ambiente têm menos matéria orgânica e permitem o crescimento de uma ou de várias outras espécies acessórias, de elevado valor económico. Os organismos filtradores como as ostras, as amêijoas, são vistos como candidatos a estes cultivos IMTA mas outros organismos de elevado valor económico como poliquetas, pepinos-do-mar, ouriços-do-mar e as macroalgas podem também fazer parte desta solução.

Visão para o desenvolvimento sustentável da aquacultura portuguesa

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A maioria dos recursos pesqueiros estão sobre explorados e a aquacultura tem sido vista como uma alternativa para obtenção de alimento. De facto, a aquacultura é uma forma sustentável e eficiente de produção alimentar, mas também de organismos para o sector de espécies aquáticas ornamentais ou de produção de compostos para diversas indústrias. No contexto nacional, a aquacultura é uma atividade muito diversa e enfrenta ainda alguns desafios de sustentabilidade ecológica, mas também económica e social, de forma a tornar a sua expansão uma realidade. 

Efetivamente, a produção aquícola portuguesa não tem crescido ao ritmo de outros países. Tem estado estagnada nas últimas décadas. Em Portugal, entre as principais espécies produzidas estão os peixes marinhos como o pregado, a dourada e o robalo, e as trutas em água doce. A produção de amêijoa, de ostra e de mexilhão também se realiza, assim como a produção de microalgas. Nos últimos anos, tem havido um crescente interesse na produção de macroalgas. Embora já se produzam todos estes organismos, a quantidade produzida é insuficiente. É necessário produzir mais e melhor para fazer face à crescente procura destes recursos marinhos.

Do ponto de vista da sustentabilidade ecológica e do potencial de expansão da atividade da aquacultura, é sempre pretendido realizar todas as etapas do ciclo de vida da espécie em cativeiro. Deste modo, diminui-se a necessidade de captura de espécimes selvagens para se realizar a engorda ou para se reproduzirem em cativeiro. Isto alivia a pressão sobre populações que já atingiram o limite sustentável de captura. Os cultivos aquícolas podem ser extensivos, que são os mais naturalizados, em que predomina a utilização de tanques de terra, como salinas antigas, e onde as espécies produzidas têm apenas acesso ao alimento natural que entra nos tanques. Outros cultivos são os semi-intensivos onde é fornecida ração aos peixes, além do alimento natural disponível. E por último, os cultivos intensivos, onde a densidade é mais elevada. Em Portugal estes sistemas intensivos têm sido essencialmente utilizados no cultivo de pregado e de truta.

Quando a aquacultura é feita com cuidado e gerida de forma responsável, tem pouco impacto ambiental, principalmente a aquacultura de espécies de níveis tróficos baixos, como as algas ou os bivalves (ameijoa, ostra e mexilhão, por exemplo). Quando a aquacultura é realizada em zonas estuarinas ou em rias, os tanques de terra são as principais estruturas utilizadas, permitindo realizar os cultivos em regime extensivo e semi-intensivo. Nestes casos, produzem-se organismos de alta qualidade, mas com uma rentabilidade muitas vezes insustentável. 

Para ultrapassar este constrangimento, a produção de várias espécies de diferentes níveis tróficos, como peixes, invertebrados e algas, de forma integrada, denominada aquacultura multitrófica integrada (IMTA), tem despertado interesse. Esta forma de cultivo, em tanques de terra em regime extensivo ou semi-intensivo, pode viabilizar estas produções menos intensivas e desempenhar um papel importante nos ecossistemas. Isto porque se consegue um controlo do ciclo dos nutrientes e, assim, as descargas efetuadas para o meio ambiente têm menos matéria orgânica e permitem o crescimento de uma ou de várias outras espécies acessórias, de elevado valor económico. Os organismos filtradores como as ostras, as amêijoas, são vistos como candidatos a estes cultivos IMTA mas outros organismos de elevado valor económico como poliquetas, pepinos-do-mar, ouriços-do-mar e as macroalgas podem também fazer parte desta solução. 

No MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, está a ser realizada investigação dirigida ao cultivo de algumas destas novas espécies em aquacultura, que podem ser nichos de mercado interessantes e contribuir para a diversificação de espécies produzidas em aquacultura. E, com estes passos, espera-se contribuir para o crescimento sustentável deste sector da economia do mar.

Image de destaque por Mark Huigen

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