Quase dois terços (62%) dos residentes dos EUA que planeiam comprar ou vender uma casa no próximo ano hesitam em mudar-se para uma área de risco de desastres naturais, temperaturas extremas e/ou aumento do nível do mar, de acordo com uma pesquisa realizada em agosto encomendada pela corretora imobiliária de tecnologia Redfin que ouviu cerca de 1.000 entrevistados que disseram que pretendem comprar ou vender uma casa nos próximos 12 meses.

O estudo, divulgado pela norte-americana Forbes, avança que quase três quartos (71%) dos entrevistados da Geração Z disseram que hesitariam em mudar-se para algum lugar com risco de desastres naturais, temperaturas extremas e/ou aumento do nível do mar. Entre os Baby Boomers, essa percentagem é de 52%.

Curiosamente, embora a maior parte dos entrevistados tenha expressado ceticismo a respeito de mudarem as suas casas para áreas de risco, o facto é que essas áreas viram mais pessoas a chegar do que a sair nos últimos anos. Isso deve-se em parte porque geralmente esses locais disponibilizam habitações relativamente acessíveis e/ou acesso a climas quentes e ao ar livre. “Cape Coral, North Port e Tampa – três áreas metropolitanas da Flórida devastadas pelo furacão Ian – estão consistentemente na lista dos principais destinos de migração da plataforma Redfin”, refere a Forbes.

“Em lugar nenhum…”

“Uma das principais perguntas que recebo dos compradores é: ‘Para onde posso mudar-me para uma casa perto da praia, mas não numa zona de inundação?’ A resposta está em lugar nenhum. Se não estiver numa zona de inundação este ano, poderá estar daqui a alguns anos”, disse Isabel Arias-Squires, corretora imobiliária Redfin em Fort Myers, que estava entre as áreas mais atingidas pelo furacão Ian, ouvida pela Forbes. “Esta é a Flórida – furacões e inundações vêm com o território. Os compradores de imóveis devem sempre comprar seguro contra inundações e investir em janelas de impacto, se puderem”.

Embora os lugares mais ameaçados por desastres naturais ainda sejam populares entre muitos compradores de casas, isso pode mudar à medida que os jovens que cresceram a aprender sobre as alterações climáticas se tornarem uma força maior no mercado imobiliário, disse Daryl Fairweather, economista-chefe da Redfin, à Forbes.

Refere ainda a Forbes que mais da metade dos compradores e vendedores que ganham pelo menos US$ 100.000 por ano disseram que o risco de desastres naturais, temperaturas extremas e/ou aumento do nível do mar tiveram um papel importante na sua decisão de se mudar no próximo ano. Isso compara com menos de 40% daqueles que ganham menos de US $ 100.000.

“Os americanos ricos têm os meios para se afastar de áreas ameaçadas pelas mudanças climáticas, enquanto os americanos de baixa renda geralmente não podem se dar ao luxo de fazer disso uma prioridade”, conclui Fairweather à Forbes.

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