Líderes do setor energético, académico e da esfera política vão estar presentes na conferência ‘Offshore Wind in Iberia: Innovation & Perspectives Conference’ (Eólica Offshore na Península Ibérica: Inovação & Perspetivas) no próximo dia 10 de novembro, no Museu do Oriente, em Lisboa, Portugal.

Organizado pelo WavEC Offshore Renewables, em colaboração com a Embaixada de Espanha em Portugal, este evento irá contar com a intervenção do Secretário de Estado do Mar, José Maria Costa, e da Embaixadora de Espanha em Portugal, Marta Betanzos Roig, e com a presença, em vídeo, do Secretário de Estado para a Energia, João Galamba.

Empresas e instituições ligadas ao setor energético, Iberblue Wind, Ocean Winds, Baywa, Acciona, Capital Energy, Orsted, Corpower Ocean, X1 Wind, SAITEC, EnerOcean e TechnipFMC irão juntar-se a entidades líderes em investigação, como TECNALIA, INESCTEC, PLOCAN, Centro Nacional del Hidrógeneo, numa série de painéis de debate.

O Instituto para a Diversificação e Poupança de Energia (IDAE) em Espanha, a Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) em Portugal e o EIT InnoEnergy contribuirão para uma perspetiva mais abrangente, bem como outros atores da cadeia de distribuição como a Endiprev e a Navantia. Como moderadores, o evento contará com a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), WAM Investments, Companhia de Energia Oceânica (CEO) e GAP – Gómez-Acebo & Pombo Abogados.

O crescimento rápido do mercado eólico flutuante traz consigo enormes oportunidades, com a maior organização da indústria eólica do mundo – The Global Wind Energy Council – a prever mais de 16GW de turbinas eólicas flutuantes instaladas até 2030.

Só na Península Ibérica, os especialistas sugerem que o setor pode criar cerca de 50 000 postos de trabalho altamente qualificados nas próximas duas décadas, que irão gerar €5,000 milhões anualmente até 2030, com um terço desse valor proveniente de exportações.

António Sarmento, Presidente do WavEC, diz que a conferência surge numa altura crucial, no despertar da era da energia eólica flutuante.

“Estamos a convidar líderes do setor para ajudar a moldar esta entusiasmante nova indústria que pode posicionar a Península Ibérica no centro da transição energética global e redefinir as ambições nacionais para as futuras gerações”, declara António Sarmento, Presidente do WavEC.

Segundo António Sarmento, “também temos a capacidade de desenvolver rapidamente mercados domésticos em fase embrionária, inclusive nas ilhas. Ambos os países estão a intensificar os testes e o desenvolvimento de tecnologias inovadoras para estabelecer rapidamente modelos de negócio e indústrias competitivas, bem como os primeiros leilões de energia eólica offshore. Estamos ansiosos por receber projetos inovadores e debater sobre o papel da região, de forma mais ampla, como um centro líder mundial para o desenvolvimento de tecnologia e liderança industrial no setor da energia eólica offshore flutuante.”

A conferência servirá também como evento final do projeto Europeu Horizon 2020 TWIND aposta em criar uma “rede de contactos de excelência” para impulsionar as ambições eólicas offshore portuguesas.

Portugal planeia instalar 10 GW de capacidade eólica offshore até 2030, com cerca de 90% do total do potencial eólico offshore nacional de 131 GW dependente de tecnologia flutuante.

Enquanto isso, Espanha aprovou recentemente o seu primeiro Roadmap de Eólico Offshore que planeia instalar 3GW até 2030, tudo provavelmente em estruturas flutuantes.

A Espanha, referência europeia em energia eólica onshore, tem 27 GW de capacidade instalada, contribuindo com mais de €3 bilhões para o PIB nacional e criando mais de 27.500 postos de trabalho.

Os portos e estaleiros espanhóis desempenham atualmente um papel fundamental na cadeia de fornecimento de energia eólica offshore em toda a Europa.

Carmen María Roa Tortosa, do Instituto para la Diversificación y Ahorro de la Energía (IDAE – Instituto para a Diversificação e Poupança da Energia) realça que “a utilização de energias renováveis marinhas em novas instalações futuras que diversifiquem o mix energético com fontes de energia de origem não fóssil, contribuirá para atingir as metas energéticas, climáticas, ambientais e industriais do país, o que significará uma redução considerável no nível de emissões de CO2 favorecendo a transição para uma economia de baixo carbono a nível global”.

Setor eólico offshore flutuante: uma oportunidade

“Durante esta complicada era geopolítica, atormentada por incertezas energéticas e económicas, o setor eólico offshore flutuante apresenta uma oportunidade única de aproveitamento de recursos renováveis, trazendo maior estabilidade ao nosso sistema elétrico”, aponta Carmen María Roa Tortosa.

Em termos de regiões específicas da Península Ibérica, dependendo da aprovação do ordenamento do espaço marítimo e com base nas áreas identificadas para o desenvolvimento de energia eólica offshore, “existe um grande potencial de desenvolvimento na área do Mar Cantábrico e ao largo da costa da Andaluzia, onde a energia eólica offshore poderia ser um motor económico para a região”, afirma esta responsável.

Além disso, prossegue a sua análise, “a Galiza, juntamente com as regiões norte e centro da costa atlântica portuguesa, oferece excelentes recursos eólicos offshore que poderão alavancar a criação de um grupo de trabalho bilateral específico entre Espanha e Portugal ao nível do desenvolvimento coordenado de projetos comerciais de energia eólica offshore.”

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