A coligação “Unir contra o Fracasso Climático” convocou uma Quinzena de Ações a partir do dia 7 de novembro e uma marcha no dia 12 de novembro, na zona do Campo Pequeno, em Lisboa, para exigir políticas climáticas compatíveis com a realidade climática.

A coligação critica a escolha do Egito como anfitrião da COP27 este ano e alerta sobre a exclusão de qualquer envolvimento da sociedade civil perto da zona da cimeira.

No manifesto divulgado no site da plataforma Salvar o Clima, a coligação identifica a indústria de combustíveis fósseis como responsável da crise climática e da crise de custo de vida. Sublinha também o fracasso climático, apesar das promessas nas cimeiras do clima durante décadas.

Integram na coligação as seguintes organizações: Climáximo, DiEM25, Greve Climática Estudantil – Lisboa, Sciaena, Scientist Rebellion Portugal, Último Recurso, UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável

Apoiam a coligação a ANEM – Associação Nacional de Estudantes de Medicina e a Plataforma TROCA.

O que diz o manifesto desta coligação?

Sob o mote “Unir Contra o Fracasso Climático”, a declaração que une estas associações é a seguinte:

“A indústria fóssil conseguiu viciar, ao longo dos últimos 50 anos, toda a economia global, em petróleo, gás e carvão. Acabámos de sair de um verão catastrófico em termos de clima: a maior seca dos últimos 500 anos na Europa, a seca da China que não tem paralelo na História, as inundações no Paquistão que ainda alagam um terço de um dos maiores países do mundo e incêndios, fogos e furacões, assolando todos os oceanos e florestas do planeta. Mas a máquina não para.

No primeiro semestre deste ano, os fósseis triplicaram os seus lucros. As petrolíferas lucraram como nunca. E os preços de tudo o que nós precisamos aumentaram dramaticamente (não só as coisas supérfluas, mas mesmo as coisas essenciais, como comida ou transportes). Pagamos nestes preços os lucros das petrolíferas. E ainda nem chegámos ao fundo do poço.

A ameaça do colapso climático faz com que a atual crise seja apenas o começo do que há por vir. Enquanto existir uma indústria fóssil que controla tecnologicamente e politicamente as sociedades, que compra com os seus lucros o processo decisório, o fracasso climático, ultrapassarmos os 1.5ºC e os 2ºC, é uma certeza.

Este ano a COP, cimeira do clima, realiza-se numa estância turística de luxo dentro de uma das ditaduras mais sangrentas do mundo, a do General Sisi, no Egito. O já descredibilizado processo institucional das COPs foi-se esconder do mundo num local onde sociedade civil, internacional e principalmente local, não podem entrar. Milhares de presos políticos egípcios não podem ser escondidos pelo greenwashing internacional à COP-27.

É desta maneira que se garante o fracasso climático, o enterro definitivo das metas climáticas de 1.5ºC. As políticas climáticas atuais, com a aposta em mais gás e carvão perante a crise do custo de vida, têm um espelho perfeito aqui.

Não nos resignaremos ao fracasso climático! Convocamos uma Quinzena de Ações que começa no dia 7 de novembro e uma marcha no dia 12 de novembro, para exigir políticas climáticas compatíveis com a realidade climática.

Juntas e juntos podemos pressionar por ações para que a mudança aconteça”.

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