A COP27 – Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas decorrerá entre os dias 6 e 18 de novembro em Sharm el-Sheik, no Egito, e as organizações não governamentais ambientais estão a apostar no aumento dos seus apelos para que esta cimeira possa, efetivamente, trazer um contributo para o planeta.

Isto a bem do clima: “Vale a pena salientar que a cada ano que passa de inação e de promessas não cumpridas, perde-se a confiança no Acordo de Paris. Mesmo o porquê, depois de 27 anos de negociações, o mundo continua dependente dos combustíveis fósseis e dos países que os controlam. A indústria dos combustíveis fósseis, com lucros recordes, estão na base da crise climática. O custo de vida está a aumentar, a crise, a guerra tudo causa cada vez mais instabilidade mundial. Não podemos apostar em projetos de combustíveis fósseis ou a “pintar” de verde tais projetos. Isso é o fracasso climático”, afirmam os ambiebntalistas.

Associações organizadoras da marcha de 12 de novembro: Climáximo, DiEM25, Greve Climática Estudantil – Lisboa, Sciaena, Scientist Rebellion Portugal, Último Recurso, UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável

Associações apoiantes: Acréscimo, ANEM – Associação Nacional de Estudantes de Medicina, CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral, Circular Economy Portugal, Climate Save Portugal, Ecopsi, GEOTA, Habita, PATAV – Plataforma Anti-Transporte de Animais Vivos, proTEJO – Movimento Pelo Tejo, SOS Racismo, Stop Despejos, TROCA – Plataforma por um Comércio Internacional Justo.

Aumento de temperatura

Um sinal de fracasso “é perceber que com 1,2ºC, já passamos por um verão catastrófico em termos de clima: a maior seca dos últimos 500 anos na Europa, a seca da China que não tem paralelo na História, as inundações no Paquistão que ainda alagam um terço de um dos maiores países do mundo e incêndios, fogos e furacões, assolando todos os oceanos e florestas do planeta”, salientam as organizações que se juntaram numa coligação nacional “Unir contra o fracasso climático”, a qual irá organizar uma marcha no dia 12 de novembro, em Lisboa.

Salienta este movimento que a zona segura de acordo com o IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) é 1,5 ºC até ao final do século, ou seja, 0,3 ºC mais do que atual.

“O UN Emissions Gap Report 2022 diz que com as políticas atuais espera-se um aumento de 2,8ºC, ou seja 1,6ºC a mais do que o atual. E os impactos podem ser cada vez mais devastadores nos países, principalmente no Sul Global, que são os que menos contribuem para as alterações climáticas, mas são os que mais sofrem os impactos”, alerta a coligação nacional “Unir contra o fracasso climático”.

“A COP27 acontecerá num momento crítico para a ação climática e com forte convergência de múltiplas crises, interconexas, que têm impactos nefastos nas pessoas, nos ecossistemas e no clima. Além disso, a COP27 realiza-se num local que sofreu imensas críticas da sociedade civil, não só pelo significado da escolha do país, mas também por afastar a participação de ativistas e sociedade civil local e internacional”, destacam os ecologistas.

“Uma transição com justiça social e climática, transparente, participativa e inclusiva é o que todos nós queremos. Já temos imensos documentos e planos para serem postos em prática e outros que precisam de uma maior ambição nas metas, mas estamos aqui para trabalharmos juntos e acima de tudo, agirmos juntos. Nós, cidadãos e cidadãs, podemos exigir e construir um mundo melhor”, afirmam estas ONGA.

Quando e onde será a marcha?

A coligação nacional convoca uma Quinzena de Ações que começa no dia 7 de novembro e uma marcha no dia 12 de novembro (às 14 h, no Campo Pequeno, em Lisboa), para exigir políticas climáticas compatíveis com a realidade climática. “Juntas e juntos podemos pressionar por ações para que a mudança aconteça”, declaram.

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