Entre janeiro e novembro deste ano, foram registados 489 acidentes com trotinetes, de acordo com a PSP citada pelo jornal i. Desses sinistros resultaram 395 feridos leves e 13 graves. Ainda segundo a PSP, ouvida pelo i, os números estão a crescer bastante, à medida que o número de veículos de micromobilidade também aumenta: em 2021 foram registados 289 acidentes (244 feridos leves e sete graves), no ano 2020 foram assinalados 97 acidentes (69 feridos leves e dois graves) e no ano 2019 foram registados 169 acidentes (119 feridos leves e três graves).

O jornal i cita ainda o artigo “Trotinetes Elétricas: É Urgente Regulamentar” na “Acta Médica Portuguesa”, coordenado por Marino Machado e Nuno Diogo, que indica que na Urgência Polivalente do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC), diariamente, “são observados pelo serviço de Ortopedia em média 50 a 60 doentes, sendo internados para intervenção cirúrgica três doentes por dia, em média”.

Neste artigo, também usado pelo jornal Público, dito que de um total de 257 acidentados, 65 (25%) tiveram o diagnóstico de fratura e, destes, 35 (13,6%) foram submetidos a intervenção cirúrgica, “valores semelhantes aos reportados em publicações internacionais”.

Fraturas mais comuns

“As fraturas mais comumente observadas localizavam-se na cintura escapular e tornozelo, sendo esta última área anatómica a que mais necessitou de osteossíntese. A idade média dos acidentados foi inferior a 40 anos e, acrescentando os dias de incapacidade laboral aos custos associados ao tratamento da lesão, alcançam valores significativos para o acidentado e para o estado português”, é dito neste artigo científico que estima um custo total de 215 991,772 euros (média de 840 euros por acidentado) e um total de 3494 dias de incapacidade.

O jornal i volta a usar dados deste artigo para referir que “o estudo detetou uma maior tendência para a ocorrência de acidentes durante o fim de semana (43%), no período vespertino (16 – 24 horas) e noturno (24 – 8 horas) (73%), dados similares aos reportados em estudos noutros países”.

“Proibir o uso das trotinetes elétricas não é solução, mas é urgente regulamentar”, defendem os ortopedistas

Defendem os autores desta análise, igualmente referidos no i, que “urge uma maior e informada discussão pública sobre o uso, regulamentação e integração destes veículos na cidade de Lisboa, onde a falta de ciclovias, a existência de carris de elétrico na estrada e a predominância de calçada portuguesa majora o risco de acidente”.

“Este novo fator de acidente a nível global obrigou os legisladores de alguns países a intervir para aumentar a segurança na utilização destes veículos. Propostas como a limitação da velocidade máxima em determinadas zonas das cidades, o preenchimento de questionários antes do desbloqueio dos veículos (que auxiliam no despiste de alcoolizados), a abolição dos serviços em determinados horários noturnos, entre outras, têm sido implementadas. Proibir o uso das trotinetes elétricas não é solução, mas é urgente regulamentar”, refere o artigo assinado pelos médicos ortopedistas Marino Machado e Nuno Diogo.

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