Azeite do Alentejo perto de concluir referencial de sustentabilidade

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Azeite do Alentejo perto de concluir referencial de sustentabilidade

Os produtores de azeitona e de azeite, juntamente com a OLIVUM (Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal) validaram a primeira versão do referencial a ser produzido no âmbito do projeto, assegurando assim uma ferramenta exigente e ambiciosa, mas credível e adaptada à realidade em simultâneo.

O Programa de Sustentabilidade do Azeite do Alentejo (PSAA), projeto liderado pela OLIVUM (Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal), arrancou em abril, com o objetivo de reconhecer, reforçar e valorizar o desempenho ambiental, social, económico e cultural do setor olivícola.

De forma a cumprir o seu objetivo, o projeto comprometeu-se com o desenvolvimento de um referencial de sustentabilidade, pensado e desenhado de acordo com uma abordagem co-criativa, envolvendo membros da academia, produtores de azeitona e de azeite, e outros membros da cadeia de valor, em todo o processo.

Este referencial, pioneiro a nível internacional, identifica um conjunto de áreas primárias e secundárias de intervenção, com um conjunto de critérios associados, críticos para determinar o desempenho sustentável da produção olivícola. Os critérios encontram-se nivelados, de acordo com o cumprimento de boas práticas, para que seja possível enquadrar e classificar o desempenho do produtor perante cada área de intervenção, permitindo que este perceba não só onde está, mas também até onde pode chegar. 

Numa fase inicial o PSAA reuniu um conjunto de produtores piloto interessados em participar no desenvolvimento do referencial, contribuindo com a visão pragmática de quem está no terreno. Com o grupo de produtores formalizado, o projeto partiu para a dinamização de sessões de debate, nas quais foram expressas e analisadas um conjunto de questões e preocupações prementes associadas à produção olivícola, que efetivaram as áreas de intervenção estruturantes do referencial.

Com as áreas de intervenção legitimadas, a Universidade de Évora, na qualidade de entidade parceira do projeto, atribui-lhes um conjunto de critérios de avaliação. Cada critério permite a classificação do produtor de acordo com quatro níveis de sustentabilidade – pré-inicial, inicial, intermédio e desenvolvido – classificação essa, que depende do cumprimento, ou do não cumprimento, de um dado número de boas práticas atribuídas a cada um dos patamares.

Após a identificação dos critérios e do seu nivelamento, o PSAA avançou para validação dos mesmos junto dos produtores piloto.

Na passada terça-feira, dia 6 de dezembro, os produtores piloto reuniram-se com a equipa do projeto (OLIVUM e Universidade de Évora), no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia, em Évora, para debaterem os critérios e os níveis propostos para o referencial, com o intuito de ajustar aquilo que se pretende uma ferramenta exigente e ambiciosa, mas simultaneamente credível e adaptada à realidade. Os produtores piloto foram convidados a fazer uma leitura prévia dos critérios e níveis propostos e consequente autoavaliação, permitindo uma discussão rica e pertinente. Durante a sessão, que teve uma duração de dez horas, foram debatidas as seguintes áreas de intervenção: recursos humanos, gestão da água, eficiência energética, gestão de resíduos e de excedentes, gestão de doenças e pragas e gestão de solos.

A reunião permitiu uma discussão aprofundada e muito participada, garantindo critérios de avaliação ambiciosos e de referência internacional para uma produção olivícola sustentável.

A sessão efetivou mais uma vez os valores do PSAA, a cooperação, traduzida na abordagem de co-criação, a transparência, através do contributo de cada produtor, e a credibilidade, na exigência e no rigor desejados para o programa.

Com a validação das áreas de intervenção primária, o PSAA continuará o seu trabalho com a conclusão e validação das áreas de intervenção secundária e com a ponderação de cada critério. Depois de concluído, o referencial será introduzido numa aplicação digital, para que cada produtor faça a autoavaliação, ficando a conhecer o seu desempenho de sustentabilidade e plano de melhoria contínua.

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