Eduardo Carpinteiro Albino (à direita) e José Carlos Figueiredo (à esquerda)

A equipa Eduardo Carpinteiro Albino/José Carlos Figueiredo, da equipa Prio Renault Eco Team, apoiada pelo Welectric, ao volante de um Renault Zoe ZE50 R135, é a nova campeã de Portugal do Campeonato de Portugal de Novas Energias – Prio.

Em entrevista ao Welectric, Eduardo Carpinteiro Albino faz um balanço de um campeonato em que assume que a precisão é determinante para se vencer.

Welectric (W): Eduardo, como começou a sua ligação às novas energias?
Eduardo Carpinteiro Albino (ECA):
Em 2018, quando era observador da FPAK ao campeonato de Portugal de regularidade histórica, o Paulo Almeida, organizador do Oeiras Eco Rally, convidou-me para ser comissário desportivo na primeira prova em Portugal destinada a carros elétricos. Achei a ideia fantástica porque era a maneira de divulgar o carro elétrico, que é mais que um citadino. Podíamos mostrar que era possível fazer ralis em carros sem preparação nenhuma, como o meu pai fazia quando se iniciou na competição na década de 1960. Para mim era começar uma modalidade nova, tal como o meu pai o fizera.

Além disso, era uma maneira de exibir todos os carros elétricos, que há 5 anos eram mais raros que hoje em dia. Para mim era uma forma de competir a custos reduzidos, mudando a mentalidade sobre estes carros, que são muito giros de conduzir, não poluem e são o futuro da mobilidade.

Nos três primeiros anos fui comissário desportivo, mas tentei junto das marcas que apoiassem esta modalidade, principalmente com a Renault, que sempre apoiou estas provas. Tentei trazer os melhores pilotos da regularidade para as novas energias e foram vários os pilotos que passaram pela equipa da Renault. Em 2021 surgiu o 1º campeonato, e era preciso um 2º piloto para a equipa, porque só o Nuno Serrano e o Alexandre Berardo tinham um forte empenho nas provas que faziam, que se traduzia em resultados.

A sustentabilidade está cada vez mais enraizada na sociedade e muitas marcas gostam de estar associadas ao campeonato”

Nessa altura, tinha deixado de ser observador da FPAK, o Miguel Barbosa, de quem era a equipa de tempos no TT, tinha deixado o campeonato, e eu tinha alguma disponibilidade. Numa conversa com o Nuno Serrano e com o Alexandre Barardo, foi este último que me perguntou porque não era o 2º piloto da equipa? Foi uma ideia estranha, porque já andava afastado da pilotagem há muitos anos, mas um desafio muito interessante, que aceitei.

Estava longe de imaginar que iria ser vice-campeão em 2021 e campeão em 2022

W: Após a 2ª edição deste campeonato, como vê a sua evolução?
ECA:
A notoriedade e divulgação deste campeonato têm crescido muito, o que é fantástico. Mas ainda podemos fazer mais… Em dezembro houve uma reunião do promotor com os participantes, que trouxe novas ideias que pensamos se poderem pôr em prática este ano. Neste momento ainda não saiu o regulamento, mas estou certo de que haverá novidades.

Era importante aumentar ainda mais a divulgação e que aparecessem mais equipas “oficiais”, como a nossa. Dá muito trabalho preparar tudo, com contactos com a marcas e com os parceiros do projeto, mas a sustentabilidade está cada vez mais enraizada na sociedade e muitas marcas gostam de estar associadas ao campeonato que tem como missão iniciar o processo de descarbonização do desporto automóvel em Portugal.

W: Como é ser campeão de Novas Energias?
ECA:
É um sonho concretizado. Sempre cresci neste desporto e, com um pai campeão nacional, o meu sonho sempre foi seguir os seus passos. Mas a vida não é um caminho sem sobressaltos e, embora tenha feito um campeonato de iniciados, não continuei como piloto. O ser campeão em 2022 é prova de que nunca devemos deixar de acreditar nos nossos sonhos. Foi com muito orgulho que dediquei este título ao meu pai, a tudo o que ele me ensinou e a tudo o que ele pelo desporto automóvel.

Só tenho é de agradecer à Renault, Prio, ACP, Fidelidade, Welectric, Cascais e Edgeline arquitetos, que acreditaram neste projeto.

“Dediquei este título ao meu pai”, diz Carpinteiro Albino.

W: No dia a dia só anda de carro elétrico?
ECA:
Tenho a sorte de morar e trabalhar em Lisboa. Por isso não ando de carro todos os dias, mas geralmente dirijo-me para o escritório de bicicleta elétrica, desde o Lumiar até ao Marquês de Pombal. Quando chove, vou de metro.

Para mim não faz sentido andar todos os dias de carro. Se conseguirmos evitar o automóvel, estamos a melhorar o meio ambiente. Sei que nem todos o podem fazer e que ainda há muito para fazer em termos de transportes públicos, para conseguirmos reduzir o número de automóveis nas cidades.

W: Para quem não conhece as provas do Campeonato de Portugal de Novas Energias, pode descrevê-las brevemente?
ECA:
São provas onde temos de cumprir um percurso secreto, com troços de regularidade, em vez dos troços cronometrados dos ralis. Nestas provas tem de haver um enorme trabalho do navegador e o entrosamento com o piloto tem de ser perfeito. Somos mesmo uma equipa e neste dois anos tive o privilégio de ser navegado por dois excelentes navegadores: o João Serôdio e o José Carlos Figueiredo.

Temos de passar em cada cruzamento ou referência da estrada a um segundo definido e a precisão tem de ser quase total. Pode parecer difícil, mas quando se gosta é viciante. Na prova de Reguengos falei com um experiente navegador de todo o terreno, que fazia a sua primeira prova de Novas Energias, e que estava entusiasmadíssimo com o desafio que estas provas são. Esta é a maneira mais barata de começar no desporto automóvel, porque os carros são genuinamente de série e sem qualquer preparação, e ainda por cima numa competição descarbonizada. Apareçam numa prova, que todos os concorrentes se entreajudam e o ambiente é fantástico!

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