A Mobi.e apresentou as conclusões do estudo “Infraestruturas de Carregamento de Apoio à Transição Energética da Mobilidade em Portugal”, o qual prevê que, até 2025, serão criados mais de nove mil pontos de carregamento e mais de 76 mil até 2050, totalizando, nessa altura, mais de 80 mil pontos.

Estas são as previsões do regulador da mobilidade elétrica:

Até 2050 está prevista em Portugal a instalação de cerca de 42 mil novos postos de carregamento (que representam 76 mil pontos).

O estudo disponibilizado pela Mobi.e foi conduzido pela TIS (Transportes, Inovação e Sistemas) e tem como objetivo indicar as temáticas mais relevantes para o futuro da mobilidade elétrica e sustentável no território nacional, tendo sido apresentado num evento realizado na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa, que contou com a presença do Secretário de Estado da Mobilidade Urbana, Jorge Delgado.

De acordo com a Mobi.e, em 2050, a rede nacional contará com um total de
82 mil pontos de carregamento, 76 mil dos quais referentes a novos investimentos.

No que diz respeito ao valor de investimento, está prevista até 2050 uma aplicação de capital que ronda os 1,7 mil milhões de euros, de forma a cumprir o regulamento europeu “Alternative Fuel Infrastructure Regulation” (AFIR).

Feitas as contas, serão 1,5 mil milhões de euros até 2050, não considerando os custos associados ao retrofitting dos postos existentes; o retrofitting poderá representar um investimento de cerca de 340 mil euros (custo a ser imputado aos OPC).

Este investimento vai permitir uma poupança adicional de 3,3 milhões de toneladas de CO2, com um benefício económico estimado de 1,9 mil milhões de euros.

No estudo apresentado, é dito ainda que o número médio de tomadas de carregamento em Portugal (dezembro de 2022) por 1000 habitantes é 0,62 para Portugal (1,1 para a UE).

Contudo, segundo a Mobi.e, neste momento, a percentagem média de postos de carregamento rápidos e ultrarrápidos encontra-se nos 39% em Portugal, um valor que está acima da média europeia de 20%.

Até 2050, serão no total instalados mais 7.750 pontos rápidos e mais 10.200 ultrarrápidos.

Em relação aos pontos de carregamento para veículos pesados, o estudo prevê que sejam instalados mais 1.588 até 2050. Sobre isto, em caso de ausência de resposta pelo mercado, “a Mobi.E poderá assumir um papel ativo no investimento nos primeiros postos de carregamento elétrico para pesados, como forma de alavancar a criação de uma rede que dê garantia à utilização deste tipo veículos no transporte pesados de longa distância”, aponta o documento.

Como orientação estratégica futura, a Mobi.e refere que irá procurar fazer uma articulação com a e-Redes no sentido de reduzir os tempos necessários à instalação dos postos de carregamento (criação de uma via rápida para estes processos) e identificação atempada das localizações nas quais será necessária a colocação de postos de carregamento elétrico, antecipando possíveis necessidades de reforço de rede elétrica.

Outro dado relevante que o estudo apresenta é a potência da rede, que atualmente é de 216 MW (acima do valor necessário de 195 MW), mas com uma previsão de alcançar os 1.230 MW até 2030 e os 3.320 MW até 2050.

O estudo aborda ainda a criação de uma rede nacional de abastecimento de hidrogénio, para a qual se estima que sejam necessárias 37 estações de abastecimento até 2030, o que representa um investimento na ordem dos 219 milhões de euros.

“Enquanto instrumento público para o desenvolvimento da mobilidade sustentável, é nossa responsabilidade proporcionar o crescimento mais acelerado de uma rede abrangente em todo o país, de maneira a facilitar cada vez mais a transição energética, mas também contribuir com informação e conhecimento que permita tomar as decisões mais acertadas neste processo”, explica Luís Barroso, Presidente da Mobi.e.

Como forma de desmistificar alguns dos conceitos associados à mobilidade elétrica, o estudo refere também que, para veículos com 300 km de autonomia, apenas são necessários cerca de dois carregamentos por mês (considerando uma distância média percorrida de 20 km por dia) ou seis vezes por mês em zonas suburbanas ou rurais (onde a distância média percorrida por dia é 60 km).

Esta análise “demonstra que não é necessário ter um ponto de carregamento por cada alojamento, mas sim um carregador por cada 10 fogos, em zona de cidade, ou 2 carregadores por cada 10 fogos, em zonas suburbanas e rurais”, indica a Mobi.e.

De acordo com dados da ACEA integrados no estudo, a percentagem de carregamentos efetuados em postos públicos é de 67% nas cidades, 52% nas zonas suburbanas e de 57% em zonas rurais.

O que também terá de crescer é o parque automóvel 100% elétrico, como se percebe por este gráfico presente no estudo:

Este ano, até 30 de setembro, a Mobi.e registou mais de 3 milhões de carregamentos, ou seja, mais 64% face ao ano passado (2,4 milhões). Integram atualmente a rede Mobi.e um total de 5.167 postos e 8.367 pontos de carregamento, com 26 postos a serem instalados, em média, por semana. Já ao nível dos consumos de energia, foram consumidos em Portugal, este ano, até 30 de setembro, 48.266 MW, um aumento de 89% em comparação com o mesmo período de 2022.

Estudo completo aqui:

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