Nuno Matos
Nuno Matos
Diretor-Geral da Eco-Oil

A dimensão do investimento e a facilidade de introdução na indústria de fontes de energia de baixo teor de carbono não é igual para todos os players, quer por questões de acesso a redes de distribuição, quer pela capacidade de adaptar os processos e libertar os recursos necessários à mudança. Para isso, é evidente a importância da promoção de uma oferta diversificada de energias sustentáveis e renováveis. Fontes alternativas de energia e outras fontes verdes, como aquelas produzidas a partir de resíduos e outras matérias-primas avançadas, que têm demonstrado ser tão eficazes, se não mais, do que os combustíveis fósseis tradicionais e permitem uma “via verde” para o incremento de sustentabilidade dos processos, com a vantagem adicional de contribuírem para aproveitar resíduos que, de outro modo, acabariam por ser desperdiçados ou descartados incorretamente.

O mundo precisa de uma indústria de baixo carbono

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A humanidade enfrenta um desafio sem precedentes: combater – ou atenuar – as evidentes alterações climáticas. Apesar do papel vital que a indústria possui na economia a um nível global, a verdade é que o modelo de industrialização está suportado, na sua maioria, em fontes de energia poluentes com emissões significativas de gases de efeito de estufa, que trazem consigo consequências devastadoras para o ambiente e, naturalmente, para todos nós.

A transição energética rumo à neutralidade carbónica é, portanto, um desafio que envolve todos sem exceção, no qual os governos através da definição de políticas de estímulo à mudança e através da definição de instrumentos de regulação que, diferenciem positivamente fontes de energia menos poluentes, contribuam para acelerar a transição para uma economia de baixo teor de carbono. Num mundo onde as mudanças climáticas são uma ameaça iminente, cada agente, independentemente de sua atividade ou relevância, deveria empenhar-se na busca de soluções que não apenas mitiguem os impactes ambientais, mas também melhorem os ecossistemas e a qualidade de vida da população.

Portugal, enquanto elemento comprometido com o combate às alterações climáticas no planeta, deverá responder às metas europeias rumo a um futuro mais limpo e sustentável. Mas esta mudança só será possível se todos os intervenientes com capacidade de decisão, sejam empresas, governos ou organizações, assumam  um compromisso conjunto e uma preocupação partilhada para definir e implementar um quadro de medidas concretas.

A indústria, com uma contribuição de cerca de 20% das emissões é um dos setores mais diversificados e influentes do nosso país. A sua descarbonização, embora desafiante e complexa, é fundamental neste processo, e oferece oportunidades significativas para inovação, crescimento económico e melhoria da qualidade de vida. Embora estejamos, de forma gradual, a testemunhar mudanças neste sentido, a transição envolve em muitos casos investimentos significativos o que não favorece a rapidez e há ainda um longo caminho a percorrer. A busca por alternativas que visem a redução das emissões de gases poluentes é de extrema urgência e deve continuar a ser uma preocupação máxima para todos os agentes deste setor.

A dimensão do investimento e a facilidade de introdução na indústria de fontes de energia de baixo teor de carbono não é igual para todos os players, quer por questões de acesso a redes de distribuição, quer pela capacidade de adaptar os processos e libertar os recursos necessários à mudança.

Para isso, é evidente a importância da promoção de uma oferta diversificada de energias sustentáveis e renováveis. Fontes alternativas de energia e outras fontes verdes, como aquelas produzidas a partir de resíduos e outras matérias-primas avançadas, que têm demonstrado ser tão eficazes, se não mais, do que os combustíveis fósseis tradicionais e permitem uma “via verde” para o incremento de sustentabilidade dos processos, com a vantagem adicional de contribuírem para aproveitar resíduos que, de outro modo, acabariam por ser desperdiçados ou descartados incorretamente. 

Por outro lado, iniciativas inovadoras exigem a modernização dos instrumentos de contabilização de emissões aplicáveis à indústria, bem como a revisão da tributação dos novos combustíveis de baixa intensidade de carbono contribuindo para a sua diferenciação positiva. A substituição de fontes de energia fosseis, por estas novas fontes de energia produzidas a partir de resíduos são uma aposta na transformação de resíduos num bem transacionável, o que enquadra o princípio da economia circular e do desenvolvimento económico.

Com a emergência climática que se faz sentir, é evidente a importância que todos os setores desempenham para reduzir efeitos perniciosos da atividade humanada, e a indústria não é exceção. A transição para uma economia baixo teor de carbono traz consigo oportunidades significativas – para o ambiente, para a economia e para o bem-estar dos cidadãos. Cada pequeno passo nesta direção faz a diferença.

Imagem de destaque por Ricardo Gomez Angel na Unsplash

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