A CES (Consumer Electronics Show), em Las Vegas, é a maior feira tecnológica do mundo, tendo já se tornado também uma forte montra que os fabricantes automóveis escolhem para exibir os seus trunfos tecnológicos e, este ano, os veículos autónomos voltaram a chamar a atenção. Embora tudo esteja “no caminho certo”, os analistas ouvidos pela France Press observam que o desenvolvimento mais assertivo da condução autónoma está a levar mais tempo do que o previsto para chegar aos veículos que todos conduzimos.

Apesar de um ambiente difícil e de “uma redução no financiamento, estamos a avançar. Apenas está a levar um pouco mais de tempo do que antecipávamos há três a cinco anos”, refere Kersten Heineke, associado e co-diretor do Centro McKinsey para a Mobilidade Futura (MCFM).

Na Consumer Electronics Show 2024, os construtores de automóveis e fornecedores de componentes mostraram o aprimoramento do LiDAR – sensores que identificam o ambiente de um veículo, deteção de objetos, obstáculos e estimativa de distância por laser – e de softwares de previsão e antecipação que aumentam a segurança e tenham capacidade de lidar com a distração ou o erro do condutor, como visão 3D, visão noturna, detetores de fadiga do condutor com monitorização de movimentos dos olhos, gestos ou até mesmo deteção das mãos no volante.

“A tecnologia salva vidas” ao melhorar a segurança nas estradas, sublinha Christophe Périllat, CEO do grupo francês Valeo.

Para este especialista, até 2030, 90% dos veículos produzidos no mundo serão equipados com sistemas de assistência à condução (ADAS), dos quais 50% serão de nível 2 e 2+. E três milhões serão até mesmo de nível 3 ou 4.

No entanto, o último nível de automação (nível 5), considerado equivalente a um condutor humano, está ainda fora de alcance de um consumidor comum neste momento, “não devendo ocorrer antes de 2035”, afirma a S&P Global Mobility.

Apesar dos incidentes e dos acidentes em que se veem envolvidos serem mais facilmente comentados, os veículos autónomos continuam a ser uma aposta da indústria automóvel, como se viu neste CES 2024.

Segundo a agência France Press, que esteve no CES, o veículo autónomo está a expandir-se atualmente em duas direções: profissionais com frotas de robotáxis e autocarros; e particulares, com menos automação “por razões regulamentares, mas também de preço, pois é necessário desembolsar cerca de 10.000 dólares a mais por um veículo de nível 4”, refere a France Press. Mas para empresas, esse custo adicional é rapidamente compensado por um veículo autónomo que pode funcionar praticamente 24 horas por dia, todos os dias do ano.

Nesse contexto, Kersten Heineke prevê a circulação de “centenas de milhares de robotáxis” dentro de três a cinco anos, com a China a liderar este movimento, seguida pelos Estados Unidos e Europa.

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