A transição a favor de fontes de energia mais sustentáveis implica a transformação das profissões e dos mercados de trabalho, que, por sua vez, dependem da disponibilidade de uma mão de obra com a educação e as competências adequadas.

O Instituto Norueguês de Assuntos Internacionais (Norwegian Institute of International Affairs) quis perceber até que ponto o ensino, em 196 países, está a capacitar pessoas para esta transição energética. E concluiu que a realidade está aquém do que seria desejável.

O estudo “O fracasso da descarbonização do sistema global de ensino no domínio da energia” avaliou a rapidez com que o ensino superior mundial está a fazer a transição dos combustíveis fósseis para as energias renováveis em termos de conteúdo educativo. Foram analisadas 18.400 universidades e criados um conjunto de dados de 6142 universidades que ministram formação específica no domínio da energia em 196 países.

O estudo compara a prevalência de programas educativos orientados para os combustíveis fósseis e para as energias renováveis.

Os resultados mostram que a rápida adoção das energias renováveis em todo o mundo não é acompanhada por mudanças no ensino superior, uma vez que as universidades continuam a dar prioridade aos estudos sobre carvão e petróleo.

Em 2019, 546 universidades tinham faculdades e/ou cursos dedicados aos combustíveis fósseis, enquanto apenas 247 universidades tinham faculdades e/ou cursos no domínio das energias renováveis.

Cerca de 68% dos graus académicos mundiais centrados na energia estavam orientados para os combustíveis fósseis e apenas 32% para as energias renováveis. Isto significa que as universidades não estão a conseguir dar resposta à crescente procura de mão de obra no domínio das energias limpas. Ao ritmo atual de mudança, os diplomas universitários centrados na energia seriam 100% dedicados às energias renováveis apenas no ano 2107, concluem os investigadores.

Roman Vakulchuk e Indra Overland, que conduziram a pesquisa, salientam que “uma vez que uma carreira pode durar 30-40 anos, este facto cria um risco de aprisionamento de carbono a longo prazo e de perda de competências devido a uma (má) educação”.

Países em desenvolvimento e países desenvolvidos

Os resultados indicam também que os países em desenvolvimento estão atrasados em relação aos países desenvolvidos neste domínio, apesar de a necessidade de profissionais com formação em energias renováveis ser maior nos países em desenvolvimento. Juntamente com a falta de capital, os quadros regulamentares subdesenvolvidos para as energias renováveis e os interesses comerciais enraizados nos combustíveis fósseis, o desfasamento entre a educação energética e as necessidades da indústria das energias renováveis pode atrasar a transição energética em muitos países em desenvolvimento, conclui a análise.

Universidades públicas e privadas

A análise compara ainda universidades públicas e privadas. A quota global de programas de licenciatura em energias renováveis nas universidades públicas aumentou de 16% em 1999 para 34% em 2019 e foi inferior à das universidades privadas, que registaram um aumento de 21% em 1999 para 39% em 2019. Assim, as universidades privadas têm sido “ligeiramente mais ativas” do que as universidades públicas na transição para o ensino das energias renováveis.

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