A empresa de mineração britânica Savannah Resources, dona do projeto da mina de lítio do Barroso, em Boticas, distrito de Vila Real, deu conta, em comunicado ao mercado, da descoberta de “amplas zonas de mineralização de lítio de alto teor” num dos depósitos (denominado “Pinheiro”) que faz parte da futura mina a céu aberto no norte de Portugal. A empresa refere que se trata das “intercetações de lítio de mais alto grau até ao momento” naquele que é o “maior depósito de espodumena de lítio da Europa”. O lítio é uma das matérias-primas essenciais para as baterias dos automóveis elétricos.

A descoberta resultou do último lote de perfurações feitas no terreno, no âmbito da primeira fase (de um total de duas) em curso para conhecer a verdadeira amplitude dos recursos de minério no local, em termos de quantidade e qualidade.

“Estes resultados mostram uma nova zona de alto teor de mineralização de espodumena de lítio dentro do depósito Pinheiro, que é a primeira jazida com previsão de exploração quando o projeto da mina do Barroso iniciar a sua produção”, referiu a Savannah, acrescentando que as conclusões dos testes ao solo “apontam para o potencial de uma melhoria significativa do ‘cash flow’ inicial e do valor líquido atual do projeto”.

Localização do depósito Pinheiro. Imagem: Savannah Resources,

“Estamos muito satisfeitos com estas descobertas nas perfurações realizados recentemente no depósito de ‘Pinheiro’, que incluem as melhores intercetações de lítio até hoje em todo o projeto. Apesar de já termos perfurado mais de 30.000 metros no local, estes resultados, juntamente com aqueles já recolhidos dos depósitos ‘Reservatório’ e ‘NOA’ no mês passado, demonstram quão significativo ainda é o potencial de crescimento em termos de recursos e no âmbito da licença de mineração”, disse o diretor técnico da Savannah, Dale Ferguson, que também já ocupou o cargo de CEO de forma interina.

O atual CEO, o português Emanuel Proença, acrescentou que “estes últimos resultados da perfuração no depósito ‘Pinheiro’ são uma grande prova do potencial geológico do projeto, podendo também revelar-se economicamente significativos. Esta é a primeira jazida que planeamos explorar no plano de desenvolvimento da mina, por isso, qualquer sinal positivo em termos de maior quantidade de minério ou maior teor de lítio, pode ter um efeito benéfico no ‘cash flow’ durante o primeiro ano da operação”.

A empresa aguarda ainda, por parte de um laboratório especializado em Sevilha, dos restantes resultados dos testes ao solo do depósito “Pinheiro”, onde foram já concluídos seis furos, num total de 705 metros. A segunda fase de perfurações no terreno está já a ser planeada, informou a empresa.

Populações e Ministério Público contra

Entretanto, a associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso continua a opor-se ao projeto mineiro para a região.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) viabilizou ambientalmente a exploração de lítio na mina do Barroso emitindo uma DIA (Declaração de Impacto Ambiental) favorável, em maio, mas que integra um conjunto alargado de condicionantes.

A mina, que a empresa Savannah quer explorar, tem uma duração estimada de 17 anos e a área de concessão prevista é de 593 hectares.

O Ministério Público (MP) considera, no entanto, que a DIA da mina de lítio do Barroso “padece do vício de violação da lei” e “deve ser anulada”, segundo um documento divulgado pela Câmara de Boticas.

O MP foi notificado a pronunciar-se na sequência de uma ação judicial interposta pela Junta de Freguesia de Covas do Barroso, em Boticas, para anular a DIA da mina do Barroso, enviando um requerimento para o Tribunal Administrativo de Fiscal (TAF) de Mirandela onde corre o processo.

O presidente da Câmara Municipal de Boticas, Fernando Queiroga, afirma que as conclusões do MP “vêm dar ainda mais força à luta contra a exploração de lítio” e “demonstram que os argumentos da população contra a mina são totalmente legítimos”.

“Ponto por ponto vem desmontar o parecer que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) dá”, salientou o autarca à agência Lusa, referindo que o MP apontou as “ilicitudes do projeto da mina e formulou uma posição clara no processo, sustentada por milhares de documentos”.

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