Portugal tem estado a ser fustigado pela intempérie nos últimos dias, com a região da Grande Lisboa a registar 197 ocorrências na quinta-feira, com quedas de árvore e estruturas e inundações, tendo-se ainda registado um fenómeno extremo de vento na bacia do Tejo. Há algum significado especial associado a esta situação? No entender do vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APAP), sim. Falando à agência Lusa, no contexto do Fórum e exposição internacional de cooperação ambiental de Macau 2024, José Carlos Pimenta Machado refere que, devido às alterações climáticas, Portugal deve preparar-se para mais e piores fenómenos extremos como que o causou inundações em Lisboa na última quinta-feira.

“O risco aumentou, por isso temos que viver com o risco e aumentar os projetos de proteção”, sublinhou Pimenta Machado. “Prevenção e muito ordenamento do território, é mesmo a nossa grande aposta”, acrescenta.

“Temos que preparar as cidades, territórios e infraestruturas para esta nova realidade, para viver com picos de precipitação, longos períodos de seca e ondas de calor”, afirma José Carlos Pimenta Machado.

Cheias e secas em Portugal

O vice-presidente da APA recorda que, entre o final de outubro e o início de novembro, “em 15 dias choveu mais no [rio] Lima do que chove em dois anos no Algarve”.

Pimenta Machado defende que Lisboa “está a fazer o seu caminho e bem”, dando como exemplo a implementação do plano geral de drenagem, que vai “drenar as zonas de mais vulnerabilidade”.

O plano, no valor 130 milhões de euros, prevê a construção de dois túneis de drenagem do excesso de água das chuvas para o rio Tejo, um com cinco quilómetros entre Campolide e Santa Apolónia e outro de um quilómetro, de Chelas ao Beato.

“Sempre houve inundações, mas nos anos mais recentes há uma frequência e uma maior severidade”, diz José Carlos Pimenta Machado

O vice-presidente da APA sublinhou ainda a importância de “criar mais zonas verdes para aumentar a infiltração, aumentar as bacias de retenção”, e deu como exemplo a Praça de Espanha, que “já foi testada este ano e funcionou muito bem”.

Pimenta Machado mencionou também o plano para construir a barragem de Girabolhos, em Seia, para “permitir minimizar as cheias” na zona do Baixo Mondego.

Pelo contrário, sublinhou o vice-presidente da APA, o Algarve continua a atravessar “a pior seca de sempre”, apesar das recentes chuvas.

Erosão costeira

Pimenta Machado referiu também que Portugal já perdeu para o mar uma área de 12,2 quilómetros quadrados – “equivalente a 1.700 campos de futebol” – e que 20% da costa, 180 quilómetros, estão em risco de erosão costeira.

“Esta guerra entre a terra e o mar sempre existiu, mas é atualmente potenciada pelas mudanças climáticas”, alertou o dirigente.

Pimenta Machado defendeu a necessidade de “não aumentar as construções na costa” e de apostar em “colocar areia nas praias” em vez de, como no passado, em “muitas obras pesadas, esporões e quebra-mares”.

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