As pandemias começam, em regra, quando animais portadores de doenças, como os morcegos, ficam próximo de pessoas, gado e outros animais e transmitem novos patógenos.

Vírus como o SARS-CoV-2, na origem da mais recente pandemia, a de COVID-19, passaram dos morcegos para os humanos através de um hospedeiro intermediário.

Tendo em conta estes pressupostos, cientistas propuseram um guião para a prevenção de pandemias, com base na conservação de áreas naturais e na promoção da biodiversidade, que proporcione a distância para limitar o contacto e a transferência de agentes patogénicos para os humanos.

O guião proposto, que a revista científica Nature Communications divulga, parte de casos de estudo aplicáveis a todos os animais potencialmente portadores de doenças zoonóticas para explicar os mecanismos ligados às alterações ambientais e à propagação de agentes patogénicos dos animais para as pessoas e para identificar intervenções ecológicas para romper essas ligações.

As intervenções ecológicas começam por proteger os locais onde os animais se alimentam.

“Precisamos de garantir que há sempre oferta abundante de comida em todas as épocas do ano, especialmente quando os animais estão em fases de ‘stress’, como reprodução e migração”, sustentou, citada em comunicado da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, uma das autoras do trabalho, Raina Plowright.

Segundo os cientistas, será preciso também assegurar refúgios seguros, uma vez que quando os ‘habitats’ dos animais são perturbados as suas populações podem fragmentar-se, mover-se e espalhar mais vírus.

Os morcegos que vivem em cavernas podem não ter outras cavernas para onde se mudar e se ficarem onde estão podem ficar mais em ‘stress’ e libertam mais vírus, assinalam os investigadores, defendendo que é fundamental proteger também as áreas que funcionam como amortecedores entre as pessoas e a vida selvagem.

“Há milhões de biliões de micróbios na natureza, mas raramente ficamos doentes porque existem muitas barreiras entre nós e os novos patógenos”, salientou Raina Plowright, especialista no estudo de dinâmicas de infeção, zoonoses e conservação da natureza na Universidade de Cornell, onde é professora.

De acordo com a docente, será também essencial garantir que as pessoas que estão em contacto com animais tenham a proteção necessária para evitar a exposição a agentes patogénicos.

Os autores do trabalho enfatizam a necessidade de uma agência ou painel internacional que possa avaliar e sintetizar dados sobre prevenção, preparação e resposta a pandemias e recolher métricas sobre a integridade das paisagens, integridade ecológica e biodiversidade.

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