É costume afirmar-se que as primeiras impressões contam na formulação de um juízo de valor acerca de alguém ou algo. No nosso caso, aconteceu o oposto em relação ao Honda e:Ny1, o primeiro SUV elétrico da marca japonesa e o segundo 100% elétrico Honda (depois do Honda e). A primeira impressão recolhida não foi a mais incrível: assim que abrimos a porta e nos sentámos, a perceção apercebida foi a de que aquele parecia mais um automóvel “achinesado” do que um Honda, dada a aparente fragilidade e pouca robustez de alguns materiais e plásticos. Porém, o facto é que a utilização que fizemos do veículo permitiu-nos conhecer melhor este SUV de segmento B e superar a primeira impressão menos abonatória.

O e:Ny1 tem 4,387 metros de comprimento (é quase do tamanho do térmico BMW 2 Active Tourer). Em relação ao híbrido HR-V lançado em 2022 e com o qual partilha a plataforma, o e:Ny1 é 37 mm mais comprido e 2 mm mais alto.

Esteticamente, segue a linha do HR-V, com um design elegante (gostamos especialmente da secção traseira, na qual os puxadores laminados das portas traseiras fazem com que o e:Ny1 pareça um SUV coupé).

O modelo tem um motor com 150 kW (204 cv) e 310 Nm que se revela perfeitamente adequado às necessidades do condutor.

A bateria de 68,8 kWh de capacidade bruta (61,9 kWh úteis) anuncia uma autonomia de 412 km, uma cifra já boa. No contacto que fizemos, os consumos andaram à volta dos 14.9 kWh e 16.6 kWh por 100 km percorridos, valores muito aceitáveis.

No tocante ao conforto, talvez fruto da combinação de jantes de 18’’ (com um design muito bem escolhido) com pneus 225/50 R18, o amortecimento dos buracos da estrada é sentido de forma demasiado seco.

O veículo dispõe de patilhas no volante para se poder dosear a intensidade da regeneração, segundo quatro patamares. Gostamos de experimentar esta funcionalidade: o seu uso faz dispensar um maior recurso ao pedal do travão, o que leva a um menor desgaste deste componente.

Ficámos, todavia, sem perceber a razão pela qual a seleção da marcha-atrás “R” (feita através de um manípulo que se aciona com um movimento longitudinal na consola central) é diferente dos outros modos (“P”, “D” e “N” acionam-se através de um botão), algo que nos pareceu pouco lógico e até menos intuitivo, ainda que depois acabemos por nos habituar.

No interior, o ecrã enorme de 15,1’’ sobressai. Está disposto na vertical e está dividido em três secções (navegação e relógio em cima; multimedia e funções do veículo ao meio; climatização em baixo), mas demorámos algum tempo a nos “sintonizarmos” com todos os menus. Positivo é dispor de conectividade com Android Auto e Apple Car Play.

À frente, os bancos são ergonómicos e viaja-se com desafogo. Atrás, poderia haver mais espaço a nível de largura, pois quem ocupar o lugar do meio ficará apertado.

O pior no e:NY1 é mesmo o seu preço: quase 55 mil euros para particulares!

Depois do Honda e, que foi um dos elétricos esteticamente mais cativantes do mercado e de maior personalidade com o seu look retro, mas que teve uma carreira comercial frustrante devido ao preço (€36.000) e reduzida autonomia (198 km), este SUV até se apresenta com uma autonomia bastante maior e em níveis já bons, especialmente em meio urbano. No entanto, a manchar o seu cartão de visita está o preço que é excessivo e fá-lo-á perder clientes, com toda a certeza.

Ou seja, ao aprofundarmos o contacto com o e:NY1, a opinião sobre este Honda de nome estranho evoluiu favoravelmente. Pesados todos os argumentos, o modelo chega à nota positiva, mas não se livra de vários reparos, o maior dos quais o seu PVP desproporcional. E isso faz com que, entre todos, esse seja o maior desafio que o primeiro SUV elétrico da Honda terá de superar. Só o mercado ditará se consegue.

Honda e:Ny1
Preço
Versão base: €54.750
Versão Lifestyle: €57.750

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