As vendas na China da Tesla caíram para praticamente metade (49,2%) em fevereiro para 30.688 viaturas, o valor mais baixo desde agosto de 2022, um comportamento de mercado indissociável à entrada de Elon Musk na política, na leitura do responsável pela associação automóvel chinesa.

A Tesla tem uma fábrica em Xangai que produz o Model 3 e o Model Y, tanto para entregas a clientes locais como para exportação. no caso da China, a Tesla vendeu 30.688 veículos em fevereiro, dos quais 3.911 para exportação.

“Um empresário de sucesso tem de abraçar a 100% o mercado, tratar bem toda a gente e todos serão bons para si em troca. Mas, se abordarmos a questão numa perspetiva eleitoral, metade dos eleitores vão gostar de nós e a outra metade não”, afirma o secretário-geral da Associação de Automóveis de Passageiros da China (CPCA – China Passenger Car Association), Cui Dongshu, citado pela agência de notícias Bloomberg.

“É um risco inevitável depois de ele ter procurado a sua glória pessoal”, acrescentou Cui Dongshu, que indicou que parte da população vê agora a Tesla como uma questão política, dado o envolvimento de Musk com o novo Presidente dos EUA, Donald Trump.

Na China, Cui Dongshu também atribui a queda da Tesla à tradicional época baixa de férias (de 28 de janeiro a 4 de fevereiro) que se segue ao Ano Novo Lunar – a principal época festiva do país – e aos compradores que aguardam o Model Y renovado, ainda que noutras marcas este efeito de declínio não se tenha sentido e até tenham aumentado as vendas.

Concorrência forte

Além da postura política de Musk, outro fator que está a pesar nas vendas da Tesla, em especial na China, é a ascensão das marcas locais, como a BYD, que já ultrapassou a marca norte-americana como o maior fabricante de automóveis elétricos do mundo e aumentou as vendas em 161%, em termos homólogos, no mês passado.

Elevando a um novo patamar a guerra de preços na China, a BYD equipou, em fevereiro, as suas linhas Ocean e Dynasty, as mais vendidas, com sistemas avançados de assistência à condução sem custos adicionais. A medida levou a concorrência, incluindo a Geely, a Stellantis e a Leapmotor, a seguirem o exemplo com veículos elétricos a preços acessíveis. A Toyota começou a vender um elétrico de 20.000 dólares na China na semana passada, com o objetivo de atrair compradores com as suas caraterísticas avançadas semelhantes às dos rivais chineses.

Incentivos na China aumentam vendas locais

A queda da Tesla é ainda mais expressiva, na medida em que ocorre num contexto em que as vendas no mercado automóvel chinês, após uma queda de 12% em janeiro, aumentaram 26,1% em fevereiro (face a fevereiro de 2024), isto após a renovação dos subsídios do “plano de renovação”, promovido por Pequim, com as matrículas de veículos elétricos e híbridos plug-in a subirem 79,7%, representando 48,8% das vendas totais de automóveis no mês passado.

Feitas as contas, as vendas totais de automóveis na China aumentaram 1,3% nos primeiros dois meses de 2025.

Outros mercados para além da China

A China não é, aliás, o único mercado onde a Tesla está a sofrer as ondas de choque da entrada de Musk na política: na Alemanha, onde Musk se posicionou abertamente a favor do partido de extrema-direita AfD (Alternative für Deutschland), antes das eleições germânicas, as vendas da Tesla caíram 70,6% no acumulado dos dois primeiros meses do ano: em janeiro, caiu 59,5% e em fevereiro, a redução da Tesla foi de 76,3% para 1429 viaturas (quando as matrículas de elétricos na Alemanha subiram 30,8%). Em França, as vendas da Tesla diminuíram 44%.

Na Noruega, a marca sofreu um revés de 44,4% em janeiro e fevereiro, apesar de o mercado global de VE do país ter crescido 53,4% neste mesmo período.

Na Europa vista como um todo, o fabricante americano vendeu 9.945 veículos em janeiro, uma queda de 45% em relação aos 18.161 veículos em janeiro de 2024, de acordo com dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA). A quota de mercado da Tesla caiu de 1,8 por cento para 1 por cento.

Na Austrália, as vendas da Tesla desceram 71,9% em fevereiro e 65,5% nos dois primeiros meses do ano, de acordo com dados da Electric Vehicle Council.

Em Portugal, de janeiro a fevereiro, a marca norte-americana viu as suas matrículas diminuírem 45,1%, segundo os dados da ACAP (Associação Automóvel de Portugal), fruto de 936 viaturas vendidas contra 1704 vendidas nos dois primeiros meses do ano passado. Por cá, a quota de mercado da Tesla passou de 4,70% (janeiro-fevereiro de 2024) para 2,76% (janeiro-fevereiro de 2025).

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